
A família da brasileira Vanessa Zacarias da Silva, 44 anos, ex-moradora do Distrito Federal que morreu no terremoto que atingiu a Venezuela na noite de quarta-feira, esperava até a noite de sexta-feira (26/7) informações sobre o resgate do corpo e o traslado para o Brasil. Encontrada ainda com vida, ela estava sendo levada para uma clínica em Camuribe, na região costeira de La Guaira, mas não resistiu. A informação, publicada com exclusividade pelo site do Correio, foi confirmada pelo irmão da vítima, Thiago Nogueira, que acompanha as buscas e aguarda notícias.
Os mapas e gráficos que mostram a magnitude e o impacto dos fortes terremotos na Venezuela
Como os smartphones de alguns venezuelanos alertaram sobre o terremoto
Segundo Thiago, a família enfrenta grandes dificuldades para ter notícias concretas sobre o paradeiro do corpo de Vanessa e sobre os próximos passos para a repatriação. "Não temos mais informações, nem do consulado, nem do Itamaraty", desabafou. "Estou tentando contato com pessoas na Venezuela para me darem mais notícias. Já me falaram de que a ligação entre Caracas e La Guaira começou a ser restabelecida e que as primeiras ajudas por via terrestre estão chegando", relatou.
A vítima havia se mudado dois meses atrás para a Venezuela, onde vivia com o namorado. O casal morava no Brasil, mas decidiu neste ano recomeçar a vida em La Guaira, no litoral caribenho venezuelano. Apesar da mudança e da adaptação ao novo país, ela mantinha uma forte ligação com o país. "Ela amava o Brasil e, mesmo estando bem na Venezuela, queria regressar", contou o irmão. Segundo ele, o desejo de retornar fazia parte dos planos de Vanessa, que nunca deixou de manter contato com a família.
Raízes no Gama
Antes de se mudar para a Venezuela, ela morava no setor Oeste do Gama. Embora tenha passado muitos anos vivendo fora do país, fazia questão de retornar periodicamente para rever os familiares. "Minha irmã viveu grande parte da vida fora do Brasil, mas sempre que podia vinha para o Gama, porque gostava de estar perto da família e também porque gostava muito daqui", disse.
Em meio à dor da perda, a principal preocupação da família é conseguir localizar o corpo e iniciar o processo de repatriação. "Vamos encontrar nossa irmã e trazê-la para casa", afirmou o irmão.
Ao Correio, o Itamaraty informou que não divulga informações pessoais e não deu detalhes sobre o resgate do corpo de Vanessa. "Informa-se que, em caso de falecimento de cidadão brasileiro no exterior, as embaixadas e consulados brasileiros podem prestar orientações gerais aos familiares, apoiar seus contatos com o governo local e cuidar da expedição de documentos, como o atestado consular de óbito, tão logo terminem os trâmites obrigatórios realizados pelas autoridades locais", diz a nota enviada ao jornal pelo ministério. "O traslado de restos mortais de brasileiros falecidos no exterior realiza-se apenas em situações excepcionalíssimas e devidamente motivadas."
Enquanto isso, as dificuldades de comunicação e de deslocamento em algumas regiões afetadas pelo terremoto continuam atrasando o acesso às informações. Segundo relatos recebidos pela família, as conexões entre Caracas e La Guaira começaram a ser restabelecidas e as primeiras equipes de ajuda humanitária já conseguem chegar por via terrestre às áreas atingidas.
Vítimas estrangeiras
Além dos dois brasileiros — um homem e uma mulher, até as últimas informações —, outros países também anunciaram a morte de cidadãos na tragédia que abalou a Venezuela. O Ministério das Relações Exteriores de Portugal informou que 15 portugueses ou descendentes morreram nos dois terremotos.
Conforme a chancelaria da Espanha, pelo menos cinco cidadãos do país morreram e 119 estavam desaparecidos. Em janeiro de 2026, 147 mil espanhóis residiam na Venezuela, segundo dados do Ministério das Migrações da Espanha.
Um homem nascido em Caracas em 1970, cidadão venezuelano e italiano, morreu após o desabamento de um prédio no estado de La Guaira, anunciou o Ministério das Relações Exteriores da Itália. Roma calcula que quase 170 mil pessoas com passaporte italiano vivem na Venezuela. Além disso, dois cidadãos chineses foram confirmados entre as vítimas, informou a agência estatal de notícias Xinhua.
Saiba Mais
Ajuda a caminho da cena de calamidade
Em resposta à tragédia na Venezuela, o governo brasileiro enviou ontem um avião com equipes de apoio às operações de socorro. A missão humanitária internacional, coordenada pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), partiu do aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, rumo a Caracas. Hoje está prevista partida, também por via aérea, um hospital de campanha.
Em publicação nas redes sociais, o Ministério das Relações Exteriores informou que o ministro Mauro Vieira conversou por telefone com o chanceler venezuelano, Yván Gil. Durante a ligação, o chefe da diplomacia brasileira manifestou solidariedade ao povo venezuelano diante dos impactos provocados pelo terremoto, e informou que o Brasil prepara medidas de cooperação humanitária para auxiliar nas ações de resposta à emergência.
A força-tarefa brasileira é formada por agentes da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), além de bombeiros militares especializados em resgates em estruturas colapsadas e técnicos da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Também serão empregados cães farejadores treinados para localizar vítimas que estejam sob escombros.
Os bombeiros enviados são de corporações do Paraná, São Paulo e Minas Gerais, e têm experiência em operações de resgate em grandes desastres. Os técnicos da Anatel também atuarão para identificar aparelhos celulares que ainda estejam ligados, recurso que pode ajudar na localização de sobreviventes.
Mobilização global
Equipes de pelo menos 17 países estão se mobilizando para ajudar a buscar sobreviventes nas áreas devastadas pelos sismos de quarta-feira, anunciou a ONU. Transportar esses socorristas é a "prioridade absoluta", declarou o escritório das Nações Unidas para assuntos humanitários da ONU, o Ocha. "Os terremotos são uma das coisas mais devastadoras que podem acontecer a qualquer país", afirmou o porta-voz da agência, Jens Laerke, em Genebra. "É algo realmente assustador. Mas o que estamos vivendo agora também é uma mobilização internacional em sua melhor versão. Todo o sistema humanitário está se movendo muito rápido e em grande escala", acrescentou.
Até a noite de ontem, tinham sido mobilizadas ao menos 25 equipes, com um total de mil profissionais de resgate. Voluntários de Chile, Colômbia, El Salvador, Itália, México, Suíça, Estados Unidos e Cuba já tinham chegado. Além deles, estavam a caminho equipes do Reino Unido, República Tcheca, Equador, França, Alemanha, Jordânia, Países Baixos, Catar e Espanha.
O Comitê Permanente Interinstitucional, fórum composto pelos responsáveis de organizações humanitárias da ONU e de outras esferas, pediu "acesso rápido e sem obstáculos" às pessoas afetadas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) destacou que, entre as necessidades imediatas, estão o gerenciamento de vítimas em massa e o atendimento traumatológico, especialmente em áreas com edifícios desabados.
"A prioridade absoluta é resgatar o maior número possível de pessoas, ao mesmo tempo em que se presta urgentemente assistência sanitária vital aos feridos", afirmou Ciro Ugarte, diretor de emergências da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). "As primeiras 72 horas são cruciais para salvar vidas."

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