A síndrome do impostor é caracterizada pela autopercepção de insuficiência e incompetência. Entretanto, a condição é um fenômeno psicológico, e não uma patologia reconhecida pelo CID ou DSM
FreepikSegundo a neuropsicóloga Juliana Gebrim, a síndrome se manifesta quando a pessoa sente que não merece conquistas, acreditando que o sucesso se deve à sorte ou a fatores externos, e não à própria competência
'Mesmo diante de evidências claras de suas habilidades, ela vive com o medo constante de ser 'descoberta' como uma fraude', explica a psicóloga
FreepikOs principais sintomas incluem comparações frequentes com os outros, dificuldade em aceitar elogios ou reconhecer as próprias conquistas, perfeccionismo excessivo e medo persistente de falhar
Freepik'Além disso, a pessoa pode evitar desafios por acreditar que não está à altura, o que limita seu crescimento pessoal e profissional', Juliana pontua
FreepikSegundo a psicóloga, a condição pode estar diretamente ligada à ansiedade e à depressão, já que a autocrítica intensa e o medo de falhar geram um estresse constante
FreepikA síndrome do impostor pode surgir a partir de uma combinação de fatores psicológicos e sociais. A psicóloga argumenta que crianças que cresceram sob expectativas muito altas ou em ambientes onde o erro era punido de forma rígida podem internalizar a crença de que nunca serão boas o suficiente
Freepik'Da mesma forma, quem recebeu elogios exagerados e generalizados pode sentir que não merece esse reconhecimento e, por isso, teme ser descoberto como uma fraude', acrescenta
FreepikNo âmbito social, ambientes altamente competitivos podem reforçar a sensação de inadequação. 'A comparação constante com os outros, especialmente em um mundo onde muitos compartilham apenas seus sucessos, pode fazer com que a pessoa sinta que está sempre aquém', indica Juliana
rawpixel.com / AkeAlém disso, grupos sub-representados em determinados espaços (como mulheres em áreas predominantemente masculinas) podem sentir que precisam se esforçar ainda mais para provar seu valor, aumentando a insegurança
PexelsJuliana destaca que pessoas perfeccionistas e autocríticas estão mais suscetíveis a desenvolver a síndrome, pois tendem a definir padrões altíssimos para si mesmas e nunca se sentem satisfeitas com o próprio desempenho: 'O medo de cometer erros ou não atingir expectativas irreais gera um ciclo de autossabotagem e insegurança'
PexelsAmbientes de trabalho competitivos podem intensificar a síndrome do impostor, pois, de acordo com Juliana, a cultura de alta produtividade e a falta de reconhecimento contribuem para a sensação de que a pessoa não está à altura das exigências
Pexels'O medo de não ser bom o suficiente faz com que muitas pessoas com síndrome do impostor evitem desafios, deixem de se candidatar a vagas para as quais estão qualificadas ou recusem oportunidades por acharem que não vão dar conta. Esse bloqueio pode impedir seu crescimento e gerar arrependimentos futuros', afirma a psicóloga
PexelsManifestada principalmente na área profissional e acadêmica, Juliana diz que a síndrome também pode surgir em relações pessoais, quando a pessoa sente que não merece carinho e admiração, além de em atividades criativas, onde o medo da crítica pode impedir a expressão autêntica
Pexels'Superar a síndrome do impostor envolve um processo de autoconhecimento e mudança de perspectiva. Um dos primeiros passos é reconhecer os próprios padrões de pensamento e entender que essa sensação de ser uma fraude não reflete a realidade', a psicóloga aconselha
PexelsA autocrítica saudável incentiva o crescimento e leva a reflexões construtivas. Já o pensamento sabotador é rígido, negativo e absoluto. Ele paralisa, em vez de motivar
PexelsJuliana ressalta que o apoio das pessoas próximas pode fazer toda a diferença para quem enfrenta a síndrome do impostor: 'Muitas vezes, quem sofre com esse fenômeno tem dificuldade em reconhecer o próprio valor, por isso, é essencial que amigos e familiares validem suas conquistas e reforcem suas capacidades de forma realista'
PexelsGabriela notou sintomas da síndrome quando iniciou um relacionamento e não se sentiu merecedora do amor, o que acabou criando um bloqueio emocional. 'Na minha cabeça, não tinha motivos para ele me amar', relata
PexelsAo frequentar a terapia, o psicólogo de Gabriela sugeriu que ela enfrentava a síndrome baseada na autocobrança e autossabotagem observada na paciente. Mesmo se esforçando, ela nunca se sentia o suficiente
Pexels'Não achava que era justo com o meu parceiro se relacionar comigo porque me sentia enganando ele. Não achava nem meus próprios sentimentos válidos. Hoje, sigo na terapia e tentando me cobrar menos. Não preciso fazer nada para merecer o amor', Gabriela celebra
FreepikJá Heloísa enfrentou a síndrome de impostor no âmbito profissional e acadêmico. Mesmo se graduando e trabalhando em uma empresa renomada, ela se sente apenas aliviada por avançar para outra fase da vida
Pexels'Minhas conquistas não significam muito para mim. Na terapia descobri que, por ter sido criada com muita pressão, tudo que faço parece o básico. E tudo que os outros fazem parece muito mais impressionante', diz Heloísa
Pexels