
Sabatina realizada pelo Correio Braziliense, nesta terça-feira (8/9), recebeu a presidenciável da Unidade Popular (UP) e cirurgiã-dentista, Samara Martins, que defendeu a presença de mulheres em espaços de poder e a aprovação do PL da Misoginia. O programa foi transmitido ao vivo nas redes sociais do jornal.
A candidata defendeu o projeto de lei que criminaliza a misoginia, que, segundo ela, enfrenta uma forte ofensiva da extrema direita. “Eles desejam perpetuar o machismo, chegando a defender que as mulheres não deveriam votar nem participar do processo eleitoral, muito menos candidatar-se”, afirma.
Ela argumentou que criminalizar a misoginia não deve se limitar a punir quem faz piadas preconceituosas, mas também responsabilizar as plataformas digitais que permitem discursos de ódio contra as mulheres.
“Quando nós, da Unidade Popular, publicamos sobre a Palestina ou contra o despejo de uma ocupação urbana, nossas páginas são derrubadas rapidamente, e precisamos lutar para recuperá-las. Já páginas que divulgam ódio, misoginia e apologia ao estupro continuam ativas, acumulando seguidores e formando grupos de 'redpills', sem sofrer sanções. É fundamental punir esses grupos e as plataformas que veiculam esse tipo de conteúdo”, argumenta.
Além disso, Samara disse entender que a presença feminina em espaços de poder e decisão é fundamental para a política nacional. “É pouco provável que um homem compreenda de fato o que é a violência contra a mulher ou o assédio cotidiano. Nós não temos paz no ônibus, na academia ou em lugar algum”, enfatiza. “Há quem diga que isso é 'mimimi', que o feminicídio e a violência de gênero não existem. Vivemos em um país que registra quatro feminicídios por dia e onde, a cada seis minutos, uma mulher ou uma criança é estuprada”, completa.
De acordo com a presidenciável, o debate sobre feminicídio e violência contra mulher não é apenas moral, mas também econômico. “É necessário garantir moradia para que as mulheres possam sair da casa de seus agressores. É necessária a garantia de renda; por isso, defendemos o aumento salarial para que elas não dependam financeiramente de quem as agride. Também é preciso a geração de empregos pelo próprio governo”, avalia.
Na visão da candidata, o combate ao machismo e a violência contra a mulher deve começar na infância e dentro das escolas. Samara apontou para a necessidade da educação de gênero, uma pauta rejeitada pela direita. “O poder público precisa intervir para ensinar a meninos e adolescentes que não há superioridade de gênero, desmistificando teorias de 'macho alfa' e 'macho beta' que circulam na internet. Somos todos seres humanos iguais e merecemos respeito”, analisa.
A sabatina do Correio ocorre em parceria com Anfip (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil), Febrafipe (Associação Nacional de Fiscais de Tributos Estaduais), Unafisco Nacional (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil) e Fenat (Federação Nacional dos Auditores Fiscais Tributários).
Assista à íntegra:
*Estagiária sob a supervisão de Andreia Castro

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