JULGAMENTO NO STF

Advogados de denunciados pela PGR negam acusações: "Ficou em silêncio"

Advogados de defesa de denunciados por participação na trama golpista apostaram na tese do silêncio para refutar a teoria da cumplicidade

No plenário da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), os advogados de defesa negaram todas as acusações -  (crédito: Antonio Augusto/STF)
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No plenário da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), os advogados de defesa negaram todas as acusações - (crédito: Antonio Augusto/STF)

As defesas de três dos cinco denunciados do chamado ‘núcleo 1’, pela Procuradoria-Geral da República (PGR), negaram as acusações feitas aos seus clientes.

O ex-comandante da Marinha do Brasil (2021-2022), Almir Garnier, o ex-ministro da Justiça (2021-2022), Anderson Torres, e o ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (2019-2023), Augusto Heleno, estão entre os 34 denunciados por envolvimento em tentativa de golpe de Estado, que cita o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), um dos investigados.

Em arguição no plenário da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), os advogados de defesa negaram todas as acusações. De acordo com o advogado Demóstenes Torres, que defende Almir Garnier, o ex-comandante “ficou em silêncio” nas ocasiões em que a tentativa de golpe foi abertamente mencionada.

Ele também questionou as provas da denúncia, ao afirmar que Freire Gomes - ex-comandante do Exército (2022) - e Baptista Júnior - ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), mentiram no depoimento à Polícia Federal quando afirmaram que Garnier concordou, em reuniões, em participar do planejamento do golpe de Estado. “Eles não teriam como afirmar isso”, disse Demóstenes.

Ainda, o advogado de Garnier criticou a decisão da PGR em denunciar de maneira seletiva. “Freire Gomes e Baptista Junior permaneceram em silêncio durante as reuniões e a PGR não considerou que esse silêncio fosse de cumplicidade com o golpe de Estado”, como considerou no caso de Garnier.

No mesmo sentido seguiu o advogado de defesa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, Eumar Roberto Novacki. Torres é denunciado por questionar o sistema eleitoral, interferir nas eleições em favor do ex-presidente, por omissão - em 2023 - como Secretário de Segurança do Distrito Federal, e por supostamente prestar assessoria jurídica a Bolsonaro para possíveis atos golpistas.

Na arguição, Eumar indagou a competência do STF para julgar pessoas sem prerrogativa de foro privilegiado e pediu que os autos da denúncia contra Anderson Torres fossem enviados a uma das Varas Criminais da Justiça Federal.

  • A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal começa a analisar, nesta terça-feira (25/3), a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra oito acusados de tentativa de golpe de Estado, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)
    A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal começa a analisar, nesta terça-feira (25/3), a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra oito acusados de tentativa de golpe de Estado, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) Gustavo Moreno/STF
  • Esta será a primeira etapa de análises de denúncias por tentativa de golpe de Estado envolvendo a cúpula do governo do então presidente Jair Bolsonaro
    Esta será a primeira etapa de análises de denúncias por tentativa de golpe de Estado envolvendo a cúpula do governo do então presidente Jair Bolsonaro Gustavo Moreno/STF
  • Os ministros vão examinar as condutas dos integrantes do
    Os ministros vão examinar as condutas dos integrantes do "Núcleo 1", que também foi chamado pela PGR de "Núcleo Crucial" Gustavo Moreno/STF
  • Os ministros da Primeira Turma vão avaliar se a acusação trouxe elementos suficientes para a abertura de uma ação penal. Caso a denúncia seja aceita, Bolsonaro e aliados se tornam réus
    Os ministros da Primeira Turma vão avaliar se a acusação trouxe elementos suficientes para a abertura de uma ação penal. Caso a denúncia seja aceita, Bolsonaro e aliados se tornam réus Gustavo Moreno/STF
  • Bolsonaro foi ao STF acompanhar o julgamento da denúncia. O ex-presidente estava acompanhado de advogados, entre eles Fabio Wajngarten
    Bolsonaro foi ao STF acompanhar o julgamento da denúncia. O ex-presidente estava acompanhado de advogados, entre eles Fabio Wajngarten Gustavo Moreno/STF
  • A Primeira Turma é composta pelos ministros Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Luiz Fux e Cármen Lúcia
    A Primeira Turma é composta pelos ministros Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Luiz Fux e Cármen Lúcia Antonio Augusto/STF
  • A discussão será feita no âmbito da Petição 12.100, de relatoria do ministro Alexandre de Moraes
    A discussão será feita no âmbito da Petição 12.100, de relatoria do ministro Alexandre de Moraes Antonio Augusto/STF
  • O ministro Cristiano Zanin é o presidente da Primeira Turma do STF
    O ministro Cristiano Zanin é o presidente da Primeira Turma do STF Antonio Augusto/STF
  • O Supremo vai decidir se recebe a denúncia apresentada em fevereiro deste ano pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet
    O Supremo vai decidir se recebe a denúncia apresentada em fevereiro deste ano pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet Antonio Augusto/STF
  • Seguranças utilizaram cães farejadores para fazer uma varredura na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal no dia do julgamento
    Seguranças utilizaram cães farejadores para fazer uma varredura na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal no dia do julgamento Gustavo Moreno/STF
  • O procurador-geral Paulo Gonet apresentou os argumentos da PGR para as denúncias contra Bolsonaro e outros sete aliados
    O procurador-geral Paulo Gonet apresentou os argumentos da PGR para as denúncias contra Bolsonaro e outros sete aliados Antonio Augusto/STF
  • Advogado de Jair Bolsonaro disse que não há provas contra ex-presidente e critica delação do ex-ajudante de ordens Mauro Cid
    Advogado de Jair Bolsonaro disse que não há provas contra ex-presidente e critica delação do ex-ajudante de ordens Mauro Cid Gustavo Moreno/STF

“Ele ficou sentado, não falou uma palavra, não fez um gesto, absolutamente nada”, comentou Matheus Milanez, advogado de defesa do ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno. A fala é uma resposta à acusação de participação direta de Heleno no planejamento da trama golpista e por questionar o sistema eleitoral.

“Quem atuou falando [em live] foi o ex-presidente Jair Bolsonaro, e a PGR aponta que esse é o primeiro elemento a provar que ele fez parte da trama golpista”, destacou Matheus, que pediu acesso à íntegra das provas contra seu cliente. Frisou que a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em janeiro de 2023, “teve a segurança da SGI, quando o Heleno era ministro”.

“Como falar que ele fazia parte do núcleo presencial se ele não falou abertamente sobre isso nas reuniões, não tem mensagem comprovando a participação dele. Ele organizou e planejou a posse do atual presidente, que aconteceu de forma tranquila”, comentou o advogado de Augusto Heleno.

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Maiara Marinho
MM
postado em 25/03/2025 13:45