
Em entrevista, ontem, ao podcast Inteligência Ltda., Jair Bolsonaro não pareceu preocupado com a análise, hoje e amanhã, pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), que pode torná-lo réu por tentativa de golpe de Estado. O ex-presidente afirmou que tem "bons advogados" e que trata-se de mais uma tentativa para incriminá-lo.
"Tenho bons advogados, que vão explanar a tecnicidade. Devo ser julgado em primeira instância, que é o justo. Se decidirem me julgar em última instância, meus advogados vão argumentar que precisam de todos os ministros para essa tomada de decisão", afirmou, adiantando a estratégia da defesa de tirar o caso da turma e levá-lo ao Plenário do STF.
Sobre a suposta reunião golpista citada no inquérito do golpe, Bolsonaro afirmou que ele e alguns militares "deram uma olhada" em algumas hipóteses "do que poderia ser feito dentro da Constituição". "Discutir hipóteses é crime? Não há problema em discutir a Constituição com quem que seja. Quero saber o que é essa minuta de golpe. Por que o (ministro do STF) Alexandre de Moraes não mostra?", cobrou.
Segundo o presidente, não seria possível a decretação de um estado de sítio sem envolver os demais Poderes da República. "Como é que começa o estado de sítio? Tem que lidar com a maioria da Câmara, Senado, ministros... Não teve nada disso. O primeiro passo do estado de sítio não é o decreto. Você manda um pedido para o Congresso", disse.
Em relação ao 8 de Janeiro, afirmou que não se sente responsável pelas depredações às sedes dos Três Poderes, pois estava nos Estados Unidos. Para Bolsonaro, não tratou-se de uma tentativa de golpe. "Não tem como eu ter participado de uma organização criminosa armada se não tinham armas no 8 de Janeiro", defendeu-se. "Para me prender, só na mão grande. Não estou pensando em fugir do Brasil, nem fugir de nenhum processo. Para me prender, é na mão grande", reforçou.
Bolsonaro concedeu a entrevista ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que garantiu que não será candidato à Presidência, em 2026. "Serei candidato à reeleição pelo governo de São Paulo. As pessoas não entendem a lealdade, a proximidade entre nós. Não tem nenhuma passagem de bastão. Meu candidato à Presidência, em 2026, é Jair Messias Bolsonaro", frisou, apesar de o ex-presidente estar inelegível.
Quem também participou da entrevista foi o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que decidiu morar nos Estados Unidos alegando perseguição política. "Acredito que serei mais útil para o Brasil aqui. Tenho a disponibilidade de levar a realidade brasileira para os congressistas norte-americanos. Meu objetivo é acabar com essa injustiça. Não só comigo, mas mães, pessoas idosas estão sendo condenadas a 14 anos de prisão. Precisamos colocar um freio nos ditadores", justificou-se.
Apoio
Apoiadores manifestam apoio ao ex-presidente timidamente nas redes sociais. Para o deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP), a partir de hoje "com certeza haverá maior mobilização" a favor de Bolsonaro. Ao Correio, o parlamentar afirmou que "a denúncia (da PGR) aborda muitas conjecturas e poucos fatos. Se fosse julgada em plenário, ela teria mais chance de ser derrubada do que na primeira turma".
Segundo a deputada federal Carol de Toni (PL-SC), a denúncia "é uma verdadeira aberração jurídica. É um julgamento político e o STF não tem essa competência constitucional. Estaremos firmemente ao lado do presidente Bolsonaro e de todas as pessoas injustamente atingidas por esse processo. A Minoria (da Câmara dos Deputados) está se mobilizando com ações legislativas e Bolsonaro poderá contar com nosso total apoio".
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