ENTREVISTA EM PODCAST

"Tenho bons advogados", diz Bolsonaro sobre julgamento de inquérito de golpe

Durante entrevista a um podcast na noite desta segunda-feira (24/3), o ex-presidente Bolsonaro falou sobre o julgamento no STF, a expectativa para as eleições de 2026 e fez comparações com o governo de Lula

Bolsonaro durante o podcast 'Inteligência Ltda.' -  (crédito: Youtube/Reprodução)
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Bolsonaro durante o podcast 'Inteligência Ltda.' - (crédito: Youtube/Reprodução)

Questionado na noite segunda-feira (24/3) sobre o julgamento do inquérito do golpe no podcast Inteligência Ltda., o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) disse que tem "bons advogados" e que o julgamento é mais uma tentativa para incriminá-lo. A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) realizará três sessões na terça (25/3) e na quarta (26/3) para discutir se aceita a denúncia contra Bolsonaro. 

"Tenho bons advogados, que vão explanar a tecnicidade. Eu devo ser julgado em primeira instância, que é o justo. Se eles [STF] decidirem me julgar em última instância, meus advogados vão argumentar que precisam de todos os ministros para essa tomada de decisão", afirmou. 

De acordo com o ex-presidente, esta é mais uma tentativa para incriminá-lo de algum crime. "Me acusaram de mandar matar a Marielle Franco, depois foram as joias sauditas. Até contra a perturbação aos cetáceos me acusaram", disse. 

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Sobre a suposta reunião golpista citada no inquérito do golpe, Bolsonaro afirmou que ele e alguns militares "deram uma olhada" em algumas hipóteses "do que poderia ser feito dentro da Constituição". "Discutir hipóteses é crime? Não há problema em discutir a Constituição com quem que seja", alegou. 

"Eu quero saber o que é essa minuta de golpe (...) por que o Alexandre de Moraes não mostra?", perguntou o ex-presidente. 

De acordo com Bolsonaro, não era possível decretar o estado de sítio sem articulação com os outros poderes da República. "Como é que começa o estado de sítio? Tem que lidar com a maioria da câmara, senado, ministros... Não teve nada disso. O primeiro passo do estado de sítio não é o decreto, você manda um pedido para o Congresso", disse. 

Sobre os atos antidemocráticos de 8 de janeiro, o ex-presidente afirmou que não se sente nem um pouco responsável pelo acontecido, tendo visto que estava nos Estados Unidos no dia em que ocorreram as invasões. 

Além disso, Bolsonaro alegou que não foi uma tentativa de golpe. "Não tem como eu ter participado de uma organização criminosa armada se não tinham armas no 8 de janeiro", defendeu. 

Eleição de 2026

Também estava presente na transmissão o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que garantiu que não será candidato à presidência do Brasil. “Eu serei candidato à reeleição pelo governo de São Paulo. As pessoas não entendem a lealdade, a proximidade entre nós. Não tem nenhuma passagem de bastão. Meu candidato à presidência em 2026 é Jair Messias Bolsonaro”, falou. 

O governador, que foi ministro da Infraestrutura de Bolsonaro, disse que nunca viu o ex-presidente agindo de maneira inconstitucional enquanto estava no poder. “Eu só vi uma pessoa preocupada com a população”, declarou. 

Segundo o ex-presidente, estão tentando prendê-lo injustamente. “Para me prender é só na mão grande. Não estou pensando em fugir do Brasil, nem fugir de nenhum processo. Para me prender, é na mão grande”, alegou. 

Eduardo Bolsonaro 

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) também participou da transmissão, diretamente dos Estados Unidos. Ao entrevistador, Eduardo explicou porque decidiu pedir licença e morar no exterior. “Acredito que serei mais útil para o Brasil aqui. Tenho a disponibilidade de levar a realidade brasileira para os congressistas norte-americanos”, argumentou. 

Acusado de participação no 8 de janeiro, Eduardo chamou o ministro do STF Alexandre Moraes de “psicopata”. “Meu objetivo é acabar com essa injustiça. Não só comigo, mas mães, pessoas idosas estão sendo condenadas a 14 anos de prisão. Precisamos colocar um freio nos ditadores”, disse. 

Governo Lula 

Na live, Bolsonaro ainda teceu críticas ao governo atual. "O Lula só acerta quando revoga uma medida que ele já anunciou", disse. 

"Compare o Paulo Guedes e o Haddad? Não dá para comparar. Aquele que foi acusado de assédio com a Damares? Não dá para comparar", alegou. 

Sobre a relação com os Estados Unidos, o ex-presidente alegou que Lula não sabe dialogar com o novo governante estadunidense, Donald Trump. “O Lula fica brincando com o Trump, daqui a pouco as tarifas aos produtos brasileiros estão em 100%. Eu saberia falar com ele”, considerou.  

Assista à entrevista na íntegra:

Isabela Stanga
postado em 24/03/2025 21:48 / atualizado em 24/03/2025 21:55