
A Polícia Federal prendeu, na manhã desta terça-feira (18/3), o advogado Thiago Marcos Barbosa de Carvalho, assessor jurídico do Ministério Público do Tocantins (MPTO), por suspeita de envolvimento no vazamento de decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A prisão foi autorizada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), e é desdobramento da Operação Sisamnes — que investiga crimes de obstrução de Justiça, violação do sigilo funcional, corrupção ativa e passiva.
Thiago Marcos é sobrinho do governador de Tocantins Wanderlei Barbosa (Republicanos), que não é investigado nessa operação. Foram autorizadas também medidas como o afastamento de funções públicas, proibição de contato entre os investigados e apreensão de passaportes.
A atual etapa apura o vazamento de informações sobre operações policiais, com o objetivo de atrapalhar investigações autorizadas pelo STJ. Segundo as investigações, "foi identificada uma rede clandestina de monitoramento, comércio e repasse de informações sigilosas sobre o andamento de investigações sensíveis supervisionadas pelo Superior Tribunal de Justiça, frustrando, assim, a efetividade das deflagrações das operações policiais", informou a PF.
O procurador de Justiça Ricardo Vicente da Silva foi alvo de buscas. Por meio de nota, o MPTO informou que não vai se manifestar no momento, por não ter tido acesso à decisão judicial que autorizou as diligências.
Venda de sentenças
A primeira fase da Operação Sisamnes ocorreu em 26 de novembro, quando foram cumpridos 23 mandados de busca e apreensão no Mato Grosso, Pernambuco e no Distrito Federal, além de um mandado de prisão preventiva. As investigações revelaram a existência de um possível esquema para a venda de sentenças judiciais, que envolve advogados, lobistas, empresários, assessores, chefes de gabinete e juízes.
A investigação envolve outros magistrados do Tribunal de Justiça do Mato Grosso e até servidores do Superior Tribunal de Justiça (STJ). No entanto, de acordo com a corte superior, até o momento, não foram encontrados indícios de participação de magistrados no esquema de venda de sentenças.
O esquema foi revelado após a morte do advogado Roberto Zampieri, que foi assassinado com dez tiros dentro do próprio carro. Durante a investigação do homicídio, a polícia aprendeu celulares e quebrou o sigilo telefônico e telemático dos suspeitos, encontrando evidências do mega esquema envolvendo corrupção de integrantes do sistema de Justiça.
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As investigações apontam que as empresas de Zampieri fizeram pagamentos à servidora do gabinete do desembargador João Ferreira. As diligências continuam em andamento. O desembargador, que está afastado das funções, não foi encontrado para comentar o caso.A primeir fase da operação foi deflagrada em novembro. O esquema envolveu advogados, lobistas, empresários e assessores.
Eles atuavam pelo interesse de grupos privados e as decisões judiciais tomadas após o pagamento de propina eram expedidas mesmo em contrariedade à legislação vigente. Além das decisões, também eram vazadas informações sigilosas sobre operações policiais que estavam em andamento.