
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou, em entrevista nesta terça-feira (25/2), que o tenente-coronel Mauro Cid, que atuava como ajudante de ordens dele, foi “torturado” para delatá-lo nas investigações do inquérito que apura a tentativa de golpe de Estado.
Em entrevista ao site do Léo Dias, o ex-presidente disse que não julga Cid e que se coloca no lugar dele. “Ele (Cid) foi torturado. O vídeo (do depoimento com Alexandre de Moraes), se você ver… O que é pela lei uma delação premiada? Você começa a firmar a sua qualificação e termina a filmagem quando tá encerrado. Meus advogados pediram (acesso ao depoimento), ele (Cid) esteve 11 vezes depondo, pedimos todos os vídeos do começo ao fim, sem cortar. Em todos esses vídeos, você vê o ‘dono do inquérito’ falando: ‘Você tem um pai, uma mãe, uma filha’, (é) tortura, tortura psicológica”.
- Leia também: Golpe: defesa de Bolsonaro insiste em mais tempo e recorre de prazo fixado por Moraes
- Leia também: Defesa de Bolsonaro vai ao STF e diz que vai pedir anulação da delação de Cid
“Cid foi obrigado a falar certas coisas, e eu me coloco no lugar dele”, diz Bolsonaro. O argumento de Bolsonaro já havia sido usado por um filho dele, o senador Flávio Bolsonaro (PL-SP). Após a divulgação dos vídeos da delação, Flávio Bolsonaro disse que delação ocorreu sob "tortura psicológica".
“Em defesa do Cid, eu acredito na delação verdadeira que ele fez, foi aquela dos áudios vazados em que ele disse que estava fazendo tudo sob uma tortura psicológica”, disse o senador. “Já estava tudo armado e planejado, que eles só queriam ali que o Sid colaborasse com alguma fala para que isso servisse de base para formalizar essa acusação contra o presidente Bolsonaro, inclusive lembrando que ele vinha sempre ficando em silêncio nas oitivas da PF”, acrescentou Flávio Bolsonaro.
Durante a entrevista, o ex-presidente garante que não fala com Mauro Cid desde o final de 2022. “Última vez que falei com ele foi quando fomos pros Estados Unidos, 30 de dezembro, acho que depois não falei mais com ele”, disse.
Mauro Cid tinha “excesso de iniciativa”
Questionado sobre os áudios de Mauro Cid incluídos na denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República, onde o tenente-coronel aparece articulando sobre um plano para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-presidente Bolsonaro disse que Cid tinha “excesso de iniciativa”.
“O Cid cresceu muito, todo mundo ligava para ele. Apelidei o telefone dele de ‘muro das lamentações’, e eu acho que ele se empolgou com essas missões. Ele tinha um excesso de iniciativa, às vezes ele queria resolver as coisas sem falar com as pessoas adequadas, mas tudo de boa fé”, disse.
Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular
Saiba Mais

Pedro Grigori
Subeditor do Correio BrazilienseTrabalhou por quatro anos com reportagens investigativas de política e meio ambiente na Agência Pública. Ganhador do Prêmio CNT de Jornalismo em 2018 e 2023, e com menções honrosas no Prêmio da OMS/ICFJ, Prêmio Caesari, Prêmio de Direitos Humanos e CNH In