
A Polícia Federal intimou o ex-ministro dos Direitos Humanos Silvio Almeida a prestar depoimento no inquérito em que ele é acusado de assédio sexual. A oitiva está marcada para a tarde de terça-feira (25/2), na sede da corporação em São Paulo. Essa será a primeira vez que o advogado prestará esclarecimentos à PF.
Na semana passada, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), adiou por mais 60 dias a investigação. A decisão atendeu a um pedido da Polícia Federal, que alegou a necessidade de mais tempo para concluir as investigações.
Uma das últimas diligências antes da definição sobre um possível indiciamento é a tomada de depoimento de Silvio Almeida. O ex-chefe dos Direitos Humanos foi acusado de assédio e importunação sexual por diversas mulheres, incluindo pela ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco.
Silvio Almeida nega todas as denúncias contra ele. Com a prorrogação do inquérito, a Polícia Federal terá até dois meses para concluir as investigações e decidir se há elementos suficientes para o indiciamento do ex-ministro, o que pode levar a um possível processo judicial. O caso tramita sob sigilo no STF.
Denúncia de assédio
O inquérito foi aberto em 17 de setembro do ano passado, por ordem do ministro André Mendonça, do STF. Por se tratar de assédio sexual, as investigações correm em sigilo. O Ministério Público do Trabalho em Brasília e a Comissão de Ética Pública da Presidência também apuram as denúncias.
Silvio Almeida foi demitido da pasta em 6 de setembro, um dia após a ONG Me Too Brasil revelar as denúncias de assédio sexual contra ele. Uma das vítimas seria Anielle Franco. Segundo os relatos das vítimas, episódios de violência sexual incluíam toques nas pernas da ministra, beijos inapropriados e declarações chulas e de conteúdo sexual.
O ex-ministro também é suspeito de assédio moral durante o tempo que comandou os Direitos Humanos. No dia da demissão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou nota afirmando que não iria tolerar comportamentos desse tipo. Silvio Almeida nega as acusações.
Ele foi substituído no cargo por Macaé Evaristo. A nova ministra defendeu que os relatos de assédio sexual envolvendo o ministério devem ser investigados com rigor e com o "amplo direito de defesa". A chefe da pasta também alegou que o caso deve tramitar sob sigilo para proteger a privacidade de todos os envolvidos.