JOIAS

Cid diz que repassou a Bolsonaro US$ 86 mil em dinheiro por venda de joias

Informação consta em delação premiada à Polícia Federal. Militar afirmou que valores foram entregues de forma parcelada e em espécie ao ex-presidente

ex-presidente Jair Bolsonaro Mauro Cid e Mauro Cid: relações suspeitas em plano de golpe -  (crédito: Reprodução / Alan Santos / PR / Divulgação)
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ex-presidente Jair Bolsonaro Mauro Cid e Mauro Cid: relações suspeitas em plano de golpe - (crédito: Reprodução / Alan Santos / PR / Divulgação)

O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, disse à Polícia Federal que entregou US$ 86 mil em espécie, de forma parcelada, para o ex-presidente Jair Bolsonaro após a venda de relógios de luxo e dos kits de joias recebidos que pertenciam à União. A informação consta no documento de delação premiada, firmado com a Polícia Federal, que teve sigilo derrubado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (19/2).

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A suposta apropriação indevida de bens do país é alvo de uma investigação da Polícia Federal. O inquérito apura se o ex-presidente e ex-assessores tentaram trazer ilegalmente presentes dados à União. A PF aponta que os bens teriam ido diretamente para o acervo pessoal do ex-chefe do Executivo. 

Segundo o depoimento, os valores foram apurados após a venda de relógios das marcas Rolex e Patek Philippe para a loja Precision Watches, da Filadélfia (Estados Unidos) — no valor total de US$ 68 mil. Outros US$ 18 mil apurados com a venda de um kit de joias Chopard a uma loja localizada em Miami.

De acordo com a investigação da Polícia Federal, as joias eram avaliadas por especialistas em leilões. Depois de leiloadas, Mauro Cid recebia o pagamento das joias. Por fim, o dinheiro era encaminhado em espécie para Jair Bolsonaro. Pelo caso, foram indiciadas 12 pessoas. 

Cid relatou que os pagamentos foram feitos na conta do seu pai, o general Mauro César de Lourena Cid, que morava nos EUA, e depois repassados de forma fracionada a Bolsonaro. O grupo também se preocupou em entregar os pagamentos em dinheiro vivo para evitar que a movimentação levantasse suspeita no sistema bancário. 

“QUE o pagamento foi realizado em espécie sem emissão de nota: QUE não há registro da venda dos referidos bens: QUE em seguida retornou ao Brasil com os valores em espécie; QUE ao retomar ao Brasil entregou os U$ 18 mil ao ex-presidente Jair Bolsonaro; QUE apenas retirou os custos que teve com passagem aérea e aluguel do veículo; QUE o colaborador ajustou com seu pai, general Mauro Cesar Lourena Cid, que o saque dos U$ 68 mil ocorreria de forma fracionada e entregue à medida que alguém conhecido viajasse dos Estados Unidos ao Brasil", disse o militar. 

Mauro Cid detalhou o pagamento de algumas parcelas, como um repasse de US$ 18 mil, durante visita de Bolsonaro a Miami, além de US$ 30 mil durante a participação do ex-presidente na Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

"QUE na cidade de Nova York, Lourena Cid entregou cerca de U$ 30 mil (trinta mil dólares) em espécie, a Jair Bolsonaro, por meio do colaborado; QUE no final do ano de 2022, Lourena Cid, veio ao Brasil para um evento da Apex, na cidade de Brasília; QUE naquele momento ele trouxe cerca de U$ 1O mil (dez mil dólares), em espécie, e entregou a Jair Bolsonaro", afirmou Cid.

As outras parcelas, segundo a delação, foram pagas no fim de fevereiro de 2023, quando Bolsonaro recebeu do pai de Cid US$ 20 mil, e o restante foi pago no retorno dele ao Brasil, no mês seguinte. 






Luana Patriolino
postado em 19/02/2025 13:56 / atualizado em 19/02/2025 14:45