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Lula para Trump: se taxar produtos brasileiros, haverá reciprocidade

Presidente enfatiza que ocorrerá represália caso o republicano cumpra as ameaças de aumentar as tarifas de importação para mercadorias do Brasil

Lula na entrevista, no Palácio do Planalto:
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Lula na entrevista, no Palácio do Planalto: "Eu quero respeitar os Estados Unidos, e quero que o Trump respeite o Brasil" - (crédito: Ricardo Stuckert / PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que espera manter um bom diálogo com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas enfatizou que haverá represália se o republicano cumprir as ameaças de aumentar as tarifas de importação para produtos brasileiros.

"É muito simples. Se ele taxar os produtos brasileiros, haverá reciprocidade do Brasil em taxar os produtos que são importados dos Estados Unidos. Simples, não tem nenhuma dificuldade", ressaltou, na coletiva de imprensa nesta quinta-feira.

Trump ameaçou diversas vezes elevar as taxas de importação sobre países, citando, inclusive, o Brasil. Na avaliação do chefe de Estado, Brasil, Índia e outras nações "taxam demais" os produtos americanos. Além disso, falou em "taxar em 100%" os países do Brics (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito e Etiópia), caso avancem no projeto para desdolarizar suas transações.

Lula argumentou que já teve relações com presidentes republicanos e democratas e que sempre manteve uma boa relação com os Estados Unidos. Comentou ainda que desejou um bom governo para Trump na carta que enviou após sua vitória nas urnas.

"Eu quero respeitar os Estados Unidos, e quero que o Trump respeite o Brasil. É só isso. Se acontecer, está de bom tamanho", afirmou. "Sinceramente, é isso que espero. Não me preocupo se ele vai brigar pela Groenlândia, pelo Golfo do México, pelo Canal do Panamá. Ele só tem que respeitar a soberania dos outros países, é isso", acrescentou.

Reforma ministerial

Outro tema que ocupa o governo nas últimas semanas é a proximidade da reforma ministerial, com alterações na Esplanada para acomodar as forças políticas, pensando em 2026, e melhorar a eficiência de pastas que sofrem críticas.

Lula foi questionado se a presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), vai ocupar um cargo no Palácio do Planalto. Fez elogios à parlamentar, mas disse que ainda não definiu sobre a troca. Ela é cotada para assumir a Secretaria-Geral da Presidência, ocupada hoje pelo ministro Márcio Macêdo.

"A companheira Gleisi já foi ministra-chefe da Casa Civil da Dilma (Rousseff). Eu estava preso, e eu fui um dos responsáveis para que minha companheira Gleisi virasse presidente do meu partido. A Gleisi é um quadro muito refinado politicamente", respondeu. "Muita gente fala que ela é radical demais. Mas, para ser presidente do PT, ela tem que falar a língua do PT. Ela tem condições de ser ministra de muitos cargos. Até agora não tem nada definido. Eu não parei para pensar se vou trocar ministros ou não", acrescentou.

O chefe do Executivo também disse querer ver o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), como próximo governador de Minas Gerais. O parlamentar é apontado como candidato a também assumir um ministério.

"Eu não posso dizer quem é que vai ser (ministro), gente. Se pudesse falar, falaria. Mas quero que o Pacheco seja governador de Minas Gerais. É isso que eu quero", frisou.

 

 

Victor Correia
postado em 31/01/2025 03:55