presidente do solidariedade

Presidente do partido Solidariedade se entrega à Polícia Federal

Eurípedes Júnior estava foragido há quatro dias. Ele é acusado de integrar um grupo que teria desviado recursos dos fundos Partidário e Eleitoral destinados ao antigo PROS, que se fundiu como outra legenda em 2023

Eurípedes pediu afastamento do Solidariedade por tempo indeterminado -  (crédito:  Reprodução/Instagram)
Eurípedes pediu afastamento do Solidariedade por tempo indeterminado - (crédito: Reprodução/Instagram)

O presidente do partido Solidariedade, Eurípedes Júnior, entregou-se, ontem, à Polícia Federal (PF), em Brasília. Ele é alvo de operação que investiga supostos desvios de recursos, nas eleições de 2022, dos fundos Partidário e Eleitoral do PROS — legenda que se fundiu com o Solidariedade em fevereiro de 2023.

Eurípedes estava foragido desde quarta-feira passada e, segundo a PF, entregou-se por volta das 11h45 acompanhado de um advogado. A defesa do presidente do Solidariedade garantiu que que será provado à Justiça "a insubsistência dos motivos" para prisão e a "total inocência" do dirigente partidário.

Na quarta-feira, Eurípides não foi encontrado pela PF e chegou a ter o nome incluído na lista vermelha da Interpol. Ele tinha uma viagem marcada, mas não compareceu ao embarque. No mesmo dia, foram alvos dos mandados de busca e de apreensão contra o ex-deputado distrital Berinaldo Pontes. E mandados de prisão contra a primeira tesoureira do Solidariedade, Cintia Lourenço da Silva, e Alessandro Sousa da Silva, o Sandro do PROS, que tentou se eleger deputado federal. A defesa de Berinaldo diz que o ex-distrital demonstrará perante a Justiça "não só a insubsistência dos motivos que propiciaram a sua busca e apreensão, mas ainda sua total inocência em face dos fatos apurados no inquérito policial". 

Na operação de quarta-feira, os agentes da PF apreenderam R$ 26 mil em espécie e um helicóptero Robinson R66 — registrado em nome do PROS e que teria custado R$ 2,4 milhões. Também houve a tentativa de bloqueio de R$ 36 milhões e 33 imóveis do grupo apontado pelas irregularidades.

Licença

Com a detenção, o deputado federal Paulinho da Força (SP) assume o comando nacional da legenda. O Solidariedade informou, por meio de nota, que Eurípedes pediu licença da função por prazo indeterminado. A legenda salientou que "tomará todas as providências necessárias, tendo em vista a regular continuidade do exercício da direção partidária".

O dirigente começou a ser investigado depois que Marcus Vinicius Chaves de Holanda, que foi presidente do PROS, acusou Eurípedes Júnior de desviar cerca de R$ 36 milhões do partido. Além disso, a PF aponta no inquérito que há indícios de que Jhennifer Hanna — filha de Eurípedes, ex-vice-presidente do PROS e hoje secretária-executiva do Solidariedade — tenha construído um patrimônio não condizente com os ganhos que tem. As investigações a acusam de fazer viagens internacionais e obter bolsas de estudo e cargos com dinheiro desviado do partido.

O juiz Lizandro Garcia, da 1ª Zona Eleitoral do Distrito Federal, que autorizou a operação pelos supostos desvios no PROS salienta, em sua decisão, que "há indícios de que a investigada (Jhennifer) leva um estilo de vida social incompatível com seus rendimentos declarados".

 

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postado em 16/06/2024 03:55 / atualizado em 16/06/2024 19:33