O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão vinculado ao Banco Central (BC), enviou, à CPMI do 8 de Janeiro, dados que podem comprometer outro ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Desta vez, o sargento do Exército Luis Marcos dos Reis teria movimentado R$ 3,34 milhões em suas contas, entre 1º de fevereiro de 2022 e 8 de maio deste ano, apesar de receber como salário um valor bastante inferior à cifra (R$ 13,3 mil). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
O montante seria resultado do recebimento de dezenas de depósitos, sendo que parte deles teria sido repassada ao tenente-coronel Mauro Cid, seu chefe e principal auxiliar de Bolsonaro.
O envio dos dados foi realizado após requerimento do senador Jorge Kajuru (PSB-GO). Segundo o Coaf, os repasses de Reis para Cid são considerados indícios de possível lavagem de dinheiro.
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No momento, assim como Mauro Cid, Reis está preso. Ele foi detido na Operação Venire, que investiga fraude em cartões de vacinação, da Polícia Federal (PF), em maio. Reis teria acionado seu sobrinho, o médico Farley Vinicius Alcântara, para preencher e carimbar um dos cartões falsos emitidos em nome da mulher de Cid.
Antes da prisão, o sargento também participou dos atos antidemocráticos em Brasília que depredaram as sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro.
Movimentação incompatível com salário de militar
O conselho fiscal já havia indicado que o sargento repassou, em um intervalo de três meses, R$ 82 mil a Cid. "Considerando a movimentação atípica, sem clara justificativa, e as citações desabonadoras em mídia, tanto do analisado quanto do principal beneficiário, comunicamos pela possibilidade de constituir-se em indícios do crime de lavagem de dinheiro", diz o relatório do Coaf.
O Centro de Comunicação Social do Exército informou que "aguarda as apurações de todos os fatos pelas autoridades competentes" e que não se manifesta sobre "processos investigativos conduzidos por outros órgãos".
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* Com informações da Agência Estado
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