Logo Correio Braziliense
Indulto

Rosa Weber será relatora de ação contra perdão de Daniel Silveira

Sorteada, ministra do STF fará relatório de processo protocolado pela Rede Sustentabilidade, contra perdão concedido por Bolsonaro a Daniel Silveira

A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), será a relatora da ação protocolada pela Rede Sustentabilidade na manhã desta sexta-feira (22/4), contra o indulto concedido ontem ao deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ) pelo presidente Jair Bolsonaro (PL).

A graça assinada por Bolsnaro, em decreto presidencial, concede perdão ao ex-policial militar por crimes de ataques à democracia, conforme condenação do STF, julgada na última quarta-feira (20). Em sua Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) de 37 páginas, a Rede diz que o perdão concedido pelo presidente é inconstitucional e deve ser sustado “antes que vire moda”.

Saiba Mais

“Não é crível, Excelência, com a devida vênia, que se pretenda ceifar com tanta ousadia a possibilidade de vida harmônica e permeada por paz no nosso país. A Rede Sustentabilidade não pode coadunar com essa espécie de modus operandi destinado a eliminar um parâmetro mínimo de resguardo das instituições democráticas e republicanas brasileiras. Se o presidente, na sua expressão preferida, joga fora das “4 linhas da Constituição”, não podem os demais atores constitucionais fundamentais para a constituição do Estado brasileiro coadunar com e ratificar tal comportamento. Devem, isso sim, desempenhar todas as funções a seu alcance para anular o ato inconstitucional, evitando que se torne a nova moda”, diz a ação.

Ainda segundo a ADPF protocolada pela Rede, Bolsonaro “derrubou o tabuleiro do jogo democrático” em um cumprimento do constitucionalismo da separação de Poderes.

Segundo a ação da Rede, “o presidente da República houve por bem derrubar o tabuleiro do jogo democrático e republicano. Não satisfeito com o resultado do julgamento, que sequer é definitivo, resolveu portar-se como uma instância revisora de decisões judiciais, à revelia da dinâmica constitucional insculpida pelo mais basilar fundamento do constitucionalismo moderno: a separação de Poderes”.

Outros pedidos

O PDT e o Cidadania também entraram com ADPF contra o decreto presidencial, mas as ações ainda não possuem relator.

Assim como a Rede, os partidos argumentam que a concessão da graça violou os preceitos fundamentais da impessoalidade e da moralidade, os quais devem reger a atuação da administração pública, como determina o artigo 37 da Constituição Federal. Também pedem a anulação do decreto sob argumento de que a graça constitucional foi concedida sem que tenha ocorrido o trânsito em julgado da condenação —quando não cabe mais recurso.

As legendas afirmam ainda que houve desvio de finalidade, pois o indulto não foi motivado por interesse público, mas, sim, para visar um interesse pessoal de Bolsonaro, que é aliado de Daniel Silveira. As siglas dizem que houve uma afronta ao princípio da separação de Poderes, pois o presidente da República não pode se portar como uma instância de revisão de decisões judiciais criminais que o desagradam.

Saiba Mais