
Em uma semana agitada em Brasília, por conta da denúncia criminal apresentada contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e da mudança no comando na Secretaria de Saúde, a mobilidade urbana é outro ponto que tem atraído a atenção dos moradores da capital nos últimos dias, devido aos engarrafamentos e ao avanço da discussão da tarifa zero no transporte público.
Com um dos maiores índices do país na relação entre veículos/moradores — fechamos 2024 com 2,07 milhões de carros, motos, ônibus e caminhões para uma população de 2,98 milhões de habitantes —, o DF enfrenta cada vez mais a lentidão no trânsito.
O retorno das aulas nas escolas e o início de obras pontuais e provisórias, como por exemplo a interdição da via de ligação entre as avenidas L2 Norte e Sul, deram um nó no tráfego na parte central da capital.
Incentivar o uso do transporte público é sempre uma das primeiras medidas que os especialistas em mobilidade urbana apontam como solução para melhoria do tráfego. Por isso, é bem-vinda a discussão sobre a tarifa zero.
A partir de março, não haverá cobrança de passagens aos domingos e feriados no DF. Há um movimento de congressistas e deputados distritais para ampliar a gratuidade aos demais dias da semana.
Se em um primeiro momento o custo parece alto — cerca de 10% do orçamento atual do DF —, o início da discussão sobre a universalização da tarifa é importante porque sempre novas ideias podem ser postas à mesa, analisando e aprimorando casos de sucesso pelo país, como os existentes em Caucaia (CE), Maricá (RJ) e São Caetano do Sul (SP).
Ao mesmo tempo, é preciso uma atenção a outros dois pontos, quando falamos em mobilidade. O primeiro deles é a situação das ciclovias na capital federal. Há trechos, como nas quadras 400 da Asa Norte, em que a pavimentação está destruída por conta das raízes das árvores.
É um risco real de queda para ciclistas e pedestres. As fortes e constantes chuvas dos últimos meses agravaram o problema, como reclamaram recentemente moradores de Ceilândia e Samambaia, em vídeo que viralizou nas redes sociais, mostrando que o cimento deu lugar ao barro.
O patinete elétrico compartilhado é outro ponto que merece cuidado especial. Com 672 unidades espalhadas no Plano Piloto e em Águas Claras, os equipamentos caíram no gosto da população, mas há que se aprimorar a segurança de usuários e pedestres.
Não é raro vê-los circulando entre os carros, principalmente em pistas na área central, como a N2 e a S2, e em calçadas. É preciso uma campanha de conscientização em massa com as regras de segurança, além da instalação de placas e mensagens de alerta.
Brasília está preparada para uma mobilidade urbana mais moderna e acessível? É a resposta que todos queremos saber.