Opinião

De olho na educação 2025: um compromisso com o futuro do Brasil

A educação transforma vidas e, consequentemente, transforma o país. Que 2025 seja o ano em que possamos avançar juntos, com transparência, diálogo e foco no que realmente importa: preparar nossas crianças e jovens para construir um futuro mais justo e próspero para todos.

A circular da SEEDF prevê exceções para o uso de celulares em sala de aula, desde que para fins pedagógicos -  (crédito: Felipe Noronha/SEEDF)
x
A circular da SEEDF prevê exceções para o uso de celulares em sala de aula, desde que para fins pedagógicos - (crédito: Felipe Noronha/SEEDF)

LETÍCIA JACINTHO — Administradora de empresas, produtora rural e analista do setor, presidente da Associação de Olho no Material Escolar, vice-presidente do NFA (Núcleo Feminino do Agronegócio)

Com o início de mais um ano letivo, pais, educadores e gestores voltam sua atenção para o que mais importa: garantir às nossas crianças e jovens uma educação de qualidade, que prepare cidadãos críticos e capacitados para os desafios do futuro. Como presidente da Associação "De Olho no Material Escolar", quero aproveitar para refletir sobre os avanços necessários na educação brasileira, especialmente em um ano decisivo como 2025. Entre as mudanças anunciadas para este período escolar, uma merece atenção especial: a proibição do uso de celulares nas escolas. Trata-se de uma medida que, se bem implementada, pode representar um avanço significativo no resgate da concentração e da jornada de aprendizado em sala de aula.

No entanto, sabemos que não basta legislar — é preciso garantir o apoio técnico e pedagógico para que escolas e professores estejam preparados para transformar essa regra em um instrumento de melhoria do ensino. O engajamento da família também é importante. Por outro lado, não podemos esquecer que a internet também pode ser uma ferramenta pedagógica de grande impacto, e que o acesso desigual a ela pelo país ainda é outro desafio estrutural do setor.

Neste ano, o Congresso Nacional aprovará o Plano Nacional de Educação (PNE). É uma oportunidade crucial para ajustar metas e cobrar resultados concretos. A pauta da melhoria da qualidade da educação não é partidária, não pertence a um grupo ou ideologia específica — ela é da comunidade escolar. Todos nós temos o dever de zelar pela formação das próximas gerações, e a aprovação de um plano robusto, viável e alinhado às reais necessidades do país, deve ser uma prioridade para a sociedade e para nossos representantes.

Outros desafios também estão no radar. Em 14 de janeiro último, o governo federal lançou o Mais Professores para o Brasil, propondo um pacote de medidas para aumentar a atratividade da carreira, estimulando jovens a cursarem as licenciaturas e também para beneficiar profissionais já formados. Inspirado no Mais Médicos, ele prevê uma seleção nacional unificada para que as redes municipais e estaduais contratem seus profissionais em início de carreira. Também inclui um programa de pagamento de bolsas e uma poupança para universitários que escolham qualquer licenciatura ou pedagogia, uma plataforma para reunir cursos de formação continuada e parcerias com a iniciativa privada e estatais (BB, CEF) para garantir benefícios.

Ações estruturadas de quaisquer agentes públicos, que melhorem as condições do magistério, são bem-vindas, desde que acompanhadas de gestão, governança e mensuração de resultados. O professor precisa de apoio, formação e valorização, e menos platitudes ou boas intenções! Outros eixos de melhoria são urgentes. EleS começam por priorizar a educação infantil e a alfabetização na idade correta, aplicando testes de leitura para todas as crianças do Brasil e com campanhas para estimular a leitura das familias com as crianças em casa.

Também é preciso usar provas internacionais como medida oficial da qualidade da educação básica, em vez de usar apenas as provas nacionais – focar no isa (Matemática, Língua Portuguesa e Ciências para adolescentes), no PIRLS (Leitura para crianças) e no TIMSS (Ciências e Matemática para crianças e adolescentes). Acreditamos na importância de se satisfazer a demanda de mão de obra especializada dos setores produtivos por meio do alinhamento da oferta de vagas nos cursos superiores e técnicos, com a expansão de matrículas em áreas prioritárias para o desenvolvimento econômico e social sustentável, nacional e regional.

Enfrentar a violência e da criminalidade nas escolas também é fundamental. Temos que zerar os indicadores de violência e promover um ambiente saudável e favorável ao aprendizado. Da mesma forma, é necessário adotar materiais didáticos baseados em evidências científicas e em fontes verificáveis — e prever regras no PNE que garantam a qualidade desses materiais. Por fim, mas não menos importante, vem a governança educacional efetiva. O PNE e o Sistema Nacional de Educação (SNE) deverão funcionar em harmonia, para que se possam alcançar as metas desejadas. As discussões sobre o SNE são tão importantes quanto as do PNE.

Reconhecendo os desafios na implementação de políticas públicas, nossa associação está dando um passo importante: o lançamento de uma ferramenta de Business Intelligence (BI), que permitirá acompanhar de perto a execução de metas e investimentos no setor educacional. Com essa plataforma, queremos fornecer dados confiáveis e acessíveis para que gestores, pais e a sociedade civil possam monitorar, cobrar e participar ativamente desse processo.

Estamos aqui para apoiar políticas públicas eficazes, fiscalizar o uso dos recursos e dar voz às famílias, que, muitas vezes, sentem-se excluídas das decisões que impactam diretamente seus filhos. A educação transforma vidas e, consequentemente, transforma o país. Que 2025 seja o ano em que possamos avançar juntos, com transparência, diálogo e foco no que realmente importa: preparar nossas crianças e jovens para construir um futuro mais justo e próspero para todos.

Correio Braziliense
postado em 10/02/2025 10:00