GUERRA NO ORIENTE MÉDIO

Ataques em Gaza deixam mais de 400 mortos após Israel interromper cessar-fogo

Ministro israelense da Defesa afirmou que o país continuará atacando a Faixa de Gaza "até que todos os reféns tenham retornado"

Palestinos carregam um corpo retirado dos escombros da casa da família Qrayqea, destruída em ataques israelenses ao amanhecer no distrito de Shujaiya, no leste da Cidade de Gaza, em 18 de março de 2025       -  (crédito: Omar AL-QATTAA/AFP)
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Palestinos carregam um corpo retirado dos escombros da casa da família Qrayqea, destruída em ataques israelenses ao amanhecer no distrito de Shujaiya, no leste da Cidade de Gaza, em 18 de março de 2025 - (crédito: Omar AL-QATTAA/AFP)

Os ataques israelenses contra a Faixa de Gaza deixaram mais de 413 mortos nesta terça-feira (18/3). Segundo o Ministério da Saúde palestino, a maioria das vítimas são crianças e mulheres. 

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Conforme noticiado pelo Hamas, o chefe do governo na Faixa de Gaza, Essam al Dalis, foi morto nos bombardeios. Além dele, outras autoridades também morreram nos ataques, entre elas o vice-ministro do Interior, Mahmud Abu Watfa, e o diretor-geral dos serviços de segurança interna, Bahjat Abu Sultan. 

Os bombardeios também deixaram centenas de feridos, dezenas deles em estado de saúde crítico.

O Exército israelense ordenou que os moradores de Gaza abandonem as zonas fronteiriças. A ordem de retirada está em vigor especialmente para as áreas de Beit Hanoun, no norte da Faixa, e Khirbet Khuzaa, Abasan al Kabira e Abasan al Jadida, no sul.

O ministro israelense da Defesa, Israel Katz, afirmou que o país continuará atacando a Faixa de Gaza "até que todos os reféns tenham retornado".

  • Palestinos salvam itens da casa destruída da família Qrayqea no distrito de Shujaiya, no leste da Cidade de Gaza, em 18 de março de 2025, após ataques israelenses ao amanhecer
    Palestinos salvam itens da casa destruída da família Qrayqea no distrito de Shujaiya, no leste da Cidade de Gaza, em 18 de março de 2025, após ataques israelenses ao amanhecer Omar AL-QATTAA/AFP
  • Um homem carrega o corpo de uma criança morta em um ataque israelense no hospital Al-Ahli Arab, também conhecido como hospital Batista, na Cidade de Gaza, em 18 de março de 2025
    Um homem carrega o corpo de uma criança morta em um ataque israelense no hospital Al-Ahli Arab, também conhecido como hospital Batista, na Cidade de Gaza, em 18 de março de 2025 Omar AL-QATTAA/AFP
  • Uma menina palestina salva itens de uma casa danificada perto da casa da família Qrayqea, que foi destruída em ataques israelenses ao amanhecer no distrito de Shujaiya, no leste da Cidade de Gaza, em 18 de março de 2025
    Uma menina palestina salva itens de uma casa danificada perto da casa da família Qrayqea, que foi destruída em ataques israelenses ao amanhecer no distrito de Shujaiya, no leste da Cidade de Gaza, em 18 de março de 2025 Omar AL-QATTAA/AFP
  • Palestinos procuram vítimas nos escombros da casa da família Qrayqea, destruída em ataques israelenses ao amanhecer no distrito de Shujaiya, no leste da Cidade de Gaza, em 18 de março de 2025
    Palestinos procuram vítimas nos escombros da casa da família Qrayqea, destruída em ataques israelenses ao amanhecer no distrito de Shujaiya, no leste da Cidade de Gaza, em 18 de março de 2025 Omar AL-QATTAA/AFP
  • Os corpos das vítimas mortas em ataques aéreos israelenses durante a noite na Faixa de Gaza são carregados em macas no hospital Al-Ahli Arab, também conhecido como hospital Batista, na Cidade de Gaza, antes de seu enterro em 18 de março de 2025
    Os corpos das vítimas mortas em ataques aéreos israelenses durante a noite na Faixa de Gaza são carregados em macas no hospital Al-Ahli Arab, também conhecido como hospital Batista, na Cidade de Gaza, antes de seu enterro em 18 de março de 2025 Omar AL-QATTAA/AFP

"Não vamos parar de lutar até que todos os reféns tenham retornado para suas casas e que todos os objetivos da guerra tenham sido cumpridos", afirmou Katz. Entre as metas do governo israelense estão, além do retorno dos sequestrados (vivos e mortos), a destruição do Hamas como força militar e política.

Fim do cessar-fogo

Os bombardeiros da madrugada desta terça-feira (18/3) são o primeiro grande ataque desde o acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas, firmado em janeiro. Oren Marmorstein, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, disse que Hamas recusou repetidamente propostas para estender a trégua  e libertar os reféns.

"O Hamas rejeitou duas propostas concretas de mediação apresentadas pelo enviado do presidente dos EUA, Steve Witkoff. Israel concordou com essas propostas de mediação. As Forças de Defesa de Israel estão atacando alvos terroristas do Hamas na Faixa de Gaza, buscando atingir os objetivos da guerra, que incluem a libertação de todos os nossos reféns, o desmantelamento da infraestrutura militar e governamental do Hamas e a remoção da ameaça terrorista de Gaza à segurança de Israel e seus cidadãos. Deste ponto em diante, Israel agirá contra o Hamas com crescente intensidade militar", afirmou Oren Marmorstein.

O Hamas afirmou que "trabalha com os mediadores" internacionais para "frear a agressão de Israel" e disse que aceitou o acordo de cessar-fogo e o "aplicou completamente, mas a ocupação israelense renegou seus compromissos ao retomar a agressão e a guerra".

Papa pede o fim dos conflitos mundiais

O papa Francisco pediu o fim dos conflitos armados no mundo em uma carta publicada nesta terça-feira (18/3). A mensagem foi escrita no quarto em que está hospitalizado em Roma há mais de quatro semanas para tratar uma pneumonia.

"Temos que desarmar as palavras, para desarmar as mentes e desarmar a Terra. Há uma grande necessidade de reflexão, de calma, de senso de complexidade", escreveu o pontífice argentino de 88 anos ao diretor de um dos principais jornais da Itália, Il Corriere della Sera, em uma carta com data de 14 de março.

Francisco ressaltou que a guerra parece ainda "mais absurda" nos momentos de doença. "A fragilidade humana tem o poder de nos tornar mais lúcidos diante do que dura e do que passa, do que faz viver e do que faz morrer", citou o papa.

Com informações da AFP*

 

Aline Gouveia
postado em 18/03/2025 08:59 / atualizado em 18/03/2025 09:22