Aula magna

Palestra com Rita Von Hunty reúne mais de mil estudantes na UnB

Tema do evento foi reflexões sobre poder e subalternização, marcando a primeira semana do semestre letivo de 2025

Júlia Giusti*
postado em 27/03/2025 19:45 / atualizado em 27/03/2025 23:13
A pesquisadora e influenciadora foi em evento que marca o início do semestre -  (crédito: Júlia Giusti)
A pesquisadora e influenciadora foi em evento que marca o início do semestre - (crédito: Júlia Giusti)

Alunos de todos os cursos ocuparam os espaços da Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB), nesta quinta-feira (27/3), para acompanhar a palestra de Rita Von Hunty, crítica cultural, professora, pesquisadora, colunista e educadora popular, convidada do “Inspira UnB”. O corpo estudantil preencheu tanto o auditório quanto o lado de fora do local, cuja capacidade de lotação é de 520 pessoas. De acordo com uma das coordenadoras do evento, foi registrado aproximadamente o dobro de presentes na tarde de hoje.

O tema da palestra conduzida por Rita foi reflexões sobre poder e subalternização, expondo obras e o pensamento de importantes autores da sociologia, filosofia, teóricos de raça e gênero, como Foucault, Sartre e Judith Butler. O debate foi transmitido pelo Instagram do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UnB. O evento ocorre na primeira semana do semestre letivo de 2025 na universidade, atividade que reúne personalidades importantes para conversar com alunos calouros e veteranos da UnB. 

Durante a exposição, Rita disse que, em tempos de guerra, as primeiras instituições atacadas são as de humanidades, pois elas têm “o estranho poder de manter as pessoas de pé”. Ela destacou o papel de artistas e intelectuais nesse contexto, essenciais para elucidar os fatos à população e incentivá-la a não desistir: “Se tiramos o sonhar e o imaginar, não tem porquê continuar lutando."

Além disso, segundo Rita, o conceito de subalternização se refere a um processo de desumanização dos indivíduos, que são tratados como irracionais e incapazes. Como exemplo, ela citou o imperialismo colonial, que excluiu os negros da posição de produtores de conhecimento, e o patriarcalismo, que prioriza as narrativas masculinas sobre as femininas.

Com isso, ela afirmou que existe um processo de dominação histórica e material que legitima um discurso de exclusão das minorias sociais: “A infraestrutura se cristaliza na macroinfraestrutura”. A professora ainda abordou a construção dos gêneros e sexualidades ao longo da história, desconstruindo estereótipos e visando à valorização dos sujeitos como seres únicos: “Há uma posição de particularidade que nos define."

Ao final da palestra, Rita recebeu os estudantes para fotografias e autógrafos.

*Estagiária sob a supervisão de Marina Rodrigues

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