A greve dos professores da rede pública do Distrito Federal, marcada para começar nesta quinta-feira (4/5), deve ter adesão de 60% das quase 700 escolas. Segundo um dos diretores do Sindicato dos Professores do DF (Sinpro-DF) Samuel Fernandes, a expectativa é que 80% dos educadores vão aderir à greve.
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"Espero que tenhamos a reestruturação do nosso plano de carreira com a incorporação da Gratificação de Atividade Pedagógica (Gaped)", afirma Samuel.
A gratificação citada pelo sindicalista trata-se de um adicional de 1,2% no salário dos professores aposentados a cada ano completo trabalhado. "São oito anos sem reajuste salarial o que levou a categoria ao endividamento. Hoje, temos uma categoria empobrecida com salários defasados abaixo do piso nacional", desabafa Samuel.
Na manhã da última terça-feira (2/5), uma faixa do Sinpro sobre a greve dos professores foi estendida na plataforma superior da Rodoviária do Plano Piloto, acima da via S1 do Eixo Monumental. Por volta das 9h, policiais militares pediram para integrantes do sindicato retirarem a manifestação escrita do local. "Greve na educação. Ibaneis, a saída está em suas mãos", diz a frase.
A faixa foi espalhada por sindicalistas em outras regiões do DF, como em uma passarela da Estrada Parque Taguatinga (EPTG), na altura do Setor de Indústria e Abastecimento (SIA). O anúncio da paralisação também foi colocado na Estrada Parque Indústria e Abastecimento (Epia), Estrada Parque Núcleo Bandeirante (EPNB), Via Estrutural e na BR-020, na subida para Sobradinho.
Reunião com secretários sem acordo
Professores da rede pública de ensino do Distrito Federal se reuniram, na noite de terça-feira (2/5), com o secretário de Planejamento, Orçamento e Administração do DF, Ney Ferraz, e com a secretária de Educação, Hélvia Paranaguá.
O grupo conversou sobre o reajuste aos servidores públicos sancionado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB). Os professores não aceitam o reajuste de 18% e decidiram entrar em greve a partir desta quinta-feira. A categoria alega que, mesmo com o reajuste, o salário dos professores ainda estaria abaixo do piso nacional.
Segundo Samuel Fernandes, a mesa de negociação continua aberta. "A secretaria de Planejamento se comprometeu a fazer alguns exercícios da pauta financeira dentro da reestruturação do nosso plano de carreira para discussão em uma próxima reunião", informa o diretor do Sinpro-DF. "A greve terá início amanhã e o fim dela está nas mãos do governador", acrescenta.
A categoria decidiu entrar em greve após assembleia realizada na última quarta-feira (26/4), onde o indicativo de greve foi aprovado pela maioria dos professores sindicalizados. Pela lei, é preciso aguardar 72 horas úteis para que a paralisação das aulas comece oficialmente, portanto, a greve começará nesta quinta (4/5).