Em tempos de espera pelo técnico italiano Carlo Ancelotti para assumir a Seleção, em junho de 2024, dois ex-técnicos do Brasil — e o atual — tiveram uma noite digna dos velhos tempos em que a CBF fechava os olhos para os importados e nomeava profissionais nacionais de olhos fechados.
Adenor Leonardo Bachi, o Tite, estreou com êxito no Flamengo ao derrotar o Cruzeiro por 2 x 0, no Mineirão. Em São Paulo, Luiz Felipe Scolari, o Felipão, liderou a escalada do Atlético-MG na classificação com triunfo imponente por 2 x 0 no Allianz Parque diante do Palmeiras. Luiz Antônio Venker Menezes, o Mano, ensaiou segurar o finalista da Libertadores Fluminense, porém Fernando Diniz é duro na queda. Perdia por 3 x 1, encurralou o Corinthians na etapa final em um jogão, arrancou 3 x 3 e não virou por muito pouco.
A noite feliz de Tite, Felipão e Diniz contrasta com o momento turbulento de um técnico português cotado, até pouco tempo, para assumir a Seleção. Abel Ferreira precisa montar um gabinete de crise. Ele enfrenta o maior desarranjo do Palmeiras desde a posse, em novembro de 2020. São seis jogos sem vencer: quatro derrotas e dois empates.
Abel era uma das duas opções da CBF para a sucessão de Tite. Perdeu a corrida para Fernando Diniz. O treinador do Fluminense topou a missão de assumir interinamente a Seleção. Depois das vitórias contra Bolívia e Peru e da classificação para a final única da Libertadores, o comandante tricolor perdeu para o Botafogo e empatou Venezuela, Uruguai e Corinthians. Sofreu oito gols nessas quatro exibições, mas mostrou poder de reação e reinvenção a 15 dias de enfrentar o Boca Juniors.
Estreante
Satisfeito com a primeira vitória no Flamengo, Tite suspirou aliviado na primeira entrevista coletiva pós-jogo desde a eliminação contra a Croácia na Copa do Mundo. "Boca seca, perna tremendo, ansiedade. Humanamente, todos esses sentimentos eu continuo tendo", admitiu.
"Foi muito intenso e vai continuar dessa forma. Entrar dentro de um trabalho e procurar as informações corretas para iniciar o trabalho com a relação de confiança humana. Eu olho para o Fabinho e faço o agradecimento pelas informações. Foi importante para nós, para um trabalho de distribuição de carga para que o atleta tivesse estimulo e 'fresh' para o jogo", afirmou em coletiva.
Um dos truques de Tite para aliviar o sofrimento do Flamengo da pressão inicial do Cruzeiro foi uma troca de posicionamento. Gerson saiu do centro para a direita. Everton Ribeiro assumiu o papel do volante. Ayrton Lucas e Pedro fizeram os gols. "A equipe se ajustou, se repetiu e ganhou confiança. Eu dei sequência a esse trabalho em cima de dois articuladores. Como no lado esquerdo, a gente precisava de um jogador um pouco mais físico e de retenção e depois uma flutuação do Everton Ribeiro, a gente fez a troca", comentou Tite.
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