
Apesar de ter registrado um resultado dentro do intervalo de tolerância no ano anterior, as contas públicas do governo federal devem ter um deficit ainda maior em 2025, de acordo com as estimativas do Banco Central. Em relatório divulgado nesta quinta-feira (27/3), o Comitê de Política Monetária (Copom) avalia que a situação fiscal do país ainda é “bastante desafiadora”.
“Os analistas esperam que 2025 tenha deficit primário maior do que o ano anterior — o que interromperia a recente trajetória de melhora — e que a razão dívida/PIB siga crescendo ao longo da década”, destacou o Copom, na primeira edição do Relatório de Política Monetária, que substitui o antigo Relatório Trimestral de Inflação.
De acordo com o documento, a maior parte dos analistas acredita que não houve uma mudança relevante na situação fiscal desde o final de 2024, após o Questionário Pré-Copom (QPC) de dezembro ter apontado uma piora de percepção desses agentes. No ano passado, apesar do resultado primário do setor público ter melhorado em comparação a 2023, a dívida bruta do governo geral (DBGG) subiu e chegou a 76,1% do PIB.
Para 2025, a maioria dos analistas considerados pelo Banco Central acreditam que a meta de resultado primário deve ser cumprida novamente, apesar de ainda sugerirem que o quadro fiscal segue desafiador. A mediana das projeções, de acordo com o Copom, é de um deficit efetivo de R$ 32 bilhões.
“Mesmo com a surpresa positiva no resultado primário de 2024 e a expectativa de novo cumprimento da meta em 2025, a avaliação qualitativa dos analistas é de que não houve melhora relevante do quadro fiscal nos últimos três meses. Ainda mais relevante, o cenário continua sendo de déficit primário nos próximos três anos e de aumento da dívida pública até 2033, segundo as projeções coletadas pela pesquisa Focus”, conclui o BC.
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