
O senador Irajá Silvestre Filho (PSD-TO) defendeu que o Brasil precisa avançar com urgência na regulamentação do uso da terra por estrangeiros, melhorar a logística com foco nas hidrovias e resolver o passivo da regularização fundiária para destravar investimentos no agronegócio.
A declaração foi durante o CB Fórum: cenário dos Investimentos Estrangeiros no Agronegócio Brasileiro, promovido pelo Correio Braziliense nesta terça-feira (25/3), em Brasília.
O parlamentar disse ainda que é preciso garantir segurança jurídica para que novos ambientes de negócios possam surgir, ampliar o crédito rural e atrair capital internacional. "Uma terra sem dono é uma terra sem lei. E é assim que se encontram milhões e milhões de hectares no Brasil", afirmou.
O senador frisou que é preciso superar obstáculos estruturais e legais para que o país possa, de fato, explorar o potencial como potência agroambiental. Ele destacou que o Brasil ainda patina em áreas estratégicas, como a logística de escoamento da produção.
Ao comparar o modal rodoviário com a hidrovia do rio Mississippi, nos Estados Unidos, o senador lamentou o atraso brasileiro. "É incompreensível que a gente continue insistindo em um modal mais caro e poluente, quando poderíamos investir em hidrovias, que reduzem pela metade o custo do transporte e são muito mais viáveis do ponto de vista ambiental", afirmou. Segundo ele, o transporte hidroviário poderia baixar o custo da tonelada da soja exportada de US$ 110 para US$ 70.
Ele também abordou a regularização fundiária. Segundo ele, existem milhões de hectares ainda em nome da União, mas ocupados por pequenos e médios produtores. "Esses brasileiros seguem involuntariamente na clandestinidade. Sem o título definitivo da terra, não conseguem acessar crédito, nem podem oferecer o imóvel como garantia", afirmou.
Ele criticou a lentidão do Estado e defendeu um marco regulatório moderno que permita legalizar as propriedades e dar dignidade aos produtores que, geram emprego e renda. "O investidor estrangeiro já atua em setores estratégicos como o bancário, de telecomunicações, mineração e automobilístico. Não faz sentido impedir esse mesmo investidor de participar do agronegócio, desde que respeite as leis brasileiras", declarou.