
A nova modalidade de consignado privado lançada pelo governo federal já alcançou 40.180.384 de simulações no aplicativo da Carteira Digital de Trabalho, segundo balanço divulgado neste domingo (23/3) pelo Ministério do Trabalho e Emprego, com dados do Dataprev. Além disso, já foram 4.501.280 propostas solicitadas e 11.032 empréstimos concedidos.
Batizado de Crédito do Trabalhador, o programa passou a valer na última sexta-feira (21), e pode ser solicitado por trabalhadores pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), empregados de microempreendedores individuais (MEIs), empregadas domésticas e assalariados rurais.
O programa foi anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com o intuito de fornecer opções mais baratas de crédito para a população. A estimativa do governo é que 47 milhões de brasileiros podem participar.
Antes, o consignado, com desconto automático das parcelas na folha de pagamento, só estava disponível para servidores públicos e alguns funcionários de empresas que possuem convênios com os bancos.
Apesar da alta demanda, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, pede que os interessados avaliem com atenção as opções disponíveis no aplicativo. “O trabalhador precisa ter cautela, calma para analisar a melhor proposta”, disse Marinho. A recomendação é que se espere o prazo de 24 horas após o pedido inicial para que todas as instituições financeiras apresentem as suas condições.
Nas redes sociais, há relatos de usuários que tiveram problemas ao tentar simular o empréstimo. Uma das reclamações mais comuns é a demora na apresentação das ofertas pelos bancos. Também há casos de erros no aplicativo, e questionamentos sobre mensagens de falta de vínculo empregatício mesmo para trabalhadores que já possuem anos de carteira assinada.
Segundo o Ministério do Trabalho, o número de acessos ao aplicativo da carteira digital está 12 vezes maior do que a média semanal dos últimos três meses.
A medida também é uma aposta do governo federal para tentar melhorar a aprovação do presidente Lula, que atingiu recentemente o menor patamar de seus três mandatos. Aliados do petista vêm incentivando a população a acessar a medida.
A ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Gleisi Hoffmann, publicou um vídeo em sua conta no Instagram, no sábado, chamando a medida de “Empréstimo do Lula”, destacando que o consignado possui juros mais baixos do que outras modalidades.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também publicou ontem trecho de entrevista no podcast Inteligência Limitada no qual explica a medida. “O banco joga a taxa de juro lá embaixo. Em de cobrar 5, 6%, ele vai cobrar menos de 3%”, disse o ministro.
Como funciona?
As parcelas do novo consignado são descontadas diretamente da folha de pagamento do trabalhador, de forma automática, e não podem ultrapassar 35% do salário, incluindo benefícios. O trabalhador poderá usar como garantia do financiamento até 10% do seu saldo total do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), além de 100% da multa rescisória (de 40% do FGTS) em caso de demissão.
Se o valor não for suficiente para quitar o empréstimo, as parcelas serão congeladas e retomadas automaticamente assim que o contratante entrar em outro emprego, sujeito a correções como a inflação e multa. Também será possível negociar a quitação diretamente com o banco.
Os juros da nova modalidade são consideravelmente menores do que outros tipos de crédito, como os empréstimos pessoais, mas variam de acordo com a instituição financeira. A média gira em torno de 3% ao mês.
Como acessar?
O acesso ao Crédito do Trabalhador é feito no aplicativo da Carteira de Trabalho Digital (CTPS Digital). O usuário precisa primeiro autorizar que instituições financeiras, como bancos, acessem dados pessoais como nome completo, CPF, parcela do salário que pode ser comprometida com as parcelas do empréstimo, e o tempo de serviço na empresa atual.
Ao fazer a simulação, o interessado também informa o valor que quer e em quantas parcelas pretende pagar, e tem acesso a uma estimativa sobre quanto será o montante total da dívida, usando a taxa média da modalidade.
As ofertas de financiamento serão liberadas em até 24 horas, e o usuário poderá escolher qual banco tem as melhores condições. Após a contratação, há um prazo de até sete dias para desistência, mediante a devolução do valor.
Por enquanto, o processo é feito apenas no aplicativo da Carteira Digital, mas poderá ser solicitado diretamente nos canais digitais dos bancos a partir de 25 de abril. Quem já possui consignados também poderá fazer a migração para o Crédito do Trabalhador a partir da mesma data.