Um estudo recente publicado pela revista científica The Lancet Regional Health — Western Pacific relata uma associação entre níveis excessivamente altos do colesterol “bom”, o (HDL-C), em idosos inicialmente saudáveis e um maior risco de demência. A análise foi conduzida por pesquisadores da Universidade Monash, na Austrália.
De acordo com o trabalho científico, as descobertas podem ajudar a reconhecer grupos de idosos, principalmente entre aqueles com mais de 75 anos, que estejam em maior risco e potencial de desenvolver a doença. Os responsáveis pelo estudo destacam que os altos níveis de HDL observados foram incomuns e não relacionados à dieta, ponderando ser mais provável algum tipo de distúrbio metabólico.
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Em contrapartida, aqueles que apresentaram níveis normais de HDL tiveram menor frequência de doenças cardiovasculares e diabetes.
Isso porque se o colesterol em baixa densidade — chamado LDL, estiver em excesso se deposita nas paredes das artérias formando placas que podem causar obstrução e consequentemente, problemas cardíacos como o infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC).
Porém, quando o colesterol se junta a lipoproteínas de alta densidade — o DHL-C, ele remove o excesso de LDL do sangue, e por isso é considerado positivo e ligado a menores riscos de doenças cardiovasculares. No entanto, os trabalhos recentes têm apontado um possível efeito negativo do HDL muito acima do normal e a perda cognitiva.
O novo estudo publicado na Lancet analisou informações de 18.668 indivíduos acima de 70 anos, sem diagnóstico de demência, que participaram de um teste clínico sobre o uso de aspirina entre idosos. Os dados foram avaliados num período de 6,3 anos.
Foi observado também que os idosos com mais de 75 anos que tinha o HDL-C extremamente alto no início do acompanhamento apresentaram 27% mais chance de desenvolver demência do que aqueles participantes com níveis normais do colesterol bom.
Veja aqui o estudo publicado.
* Estagiária sob supervisão de Roberto Fonseca