
A manifestação de estudantes contra a ação de um grupo de jovens de extrema direita na Universidade de Brasília (UnB) foi tema do CB.Poder — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília — desta terça-feira (25/3). O programa teve como convidado o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa, Fábio Félix. Às jornalistas Mariana Niederauer e Sibele Negromonte, o deputado distrital diz acreditar que os autores desses atos fazem parte de um segmento muito restrito que ataca a universidade pública.
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"Eles têm preconceito com as universidades federais, que são financiadas com dinheiro público e voltadas para a inclusão. A própria UnB foi precursora das cotas sociais e é a quinta melhor universidade do país", salientou.
O presidente da Comissão de Direitos Humanos ressaltou que a manifestação mostrou que há um grande grupo de professores, técnicos e estudantes em defesa da UnB. “Esse segmento tenta trazer uma discussão voltada para a pluralidade e a diversidade. Porém, o que esse grupo faz é desqualificar a universidade, atacar professores, utilizar o celular para assediar os docentes e gravar, sem autorização, o conteúdo das aulas”, completou.
Félix comentou que os integrantes da extrema direita repercutem e monetizam conteúdos desqualificando a pesquisa dos professores e atacando colegas de classe com ofensas relacionadas à identidade de gênero, à orientação sexual e à maneira como a UnB aborda esses temas.
Sobre o caso do estudante de história da UnB Wilker Leão, que tem quase 1 milhão de seguidores, o deputado destacou a importância de defender a universidade. “Esse grupo viu uma oportunidade econômica e política, pois muitos deles têm projetos eleitorais e querem construir base eleitoral por meio do ataque à universidade pública”, afirmou.
Fábio Félix observou que a UnB tem tomado as medidas corretas e que a Reitoria da universidade prorrogou o afastamento do estudante por mais 60 dias de todas as disciplinas. “A UnB precisa ser firme, porque está em jogo a autonomia pedagógica do professor, a defesa da ciência e da pluralidade, mas sem tolerância ao assédio e ao desrespeito aos docentes”, declarou.
Por fim, o deputado mencionou um Projeto de Lei na Câmara Legislativa do DF (CLDF) que visa impedir o assédio aos professores. “Isso, além de ter sido naturalizado, é algo estimulado pela extrema direita, que quer impedir que o professor conte a história do Brasil”, concluiu.
Assista à entrevista completa:
*Estagiário sob a supervisão de Márcia Machado
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