Entrevista

Mulheres, pardos, católicos e nascidos no DF são maioria, diz pesquisa

Ao CB.Poder, Manoel Clementino, presidente do Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPE DF), destacou os dados coletados pela Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (Pdad) e falou sobre a importância das informações para a gestão pública

O convidado foi o presidente do Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPE-DF), Manoel Clementino, que conversou com as jornalistas Ana Maria Campos e Jaqueline Fonseca -  (crédito:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
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O convidado foi o presidente do Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPE-DF), Manoel Clementino, que conversou com as jornalistas Ana Maria Campos e Jaqueline Fonseca - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

A Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (Pdad) e a formação da população brasiliense, tais como a origem e a identificação racial, foram alguns dos temas abordados no CB. Poder — parceria entre o Correio e a TV Brasília — desta segunda-feira (24/3). O convidado foi o presidente do Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPE-DF), Manoel Clementino, que conversou com as jornalistas Ana Maria Campos e Jaqueline Fonseca, e destacou novos dados, como o crescimento do número de animais de estimação e a elevada taxa de lares que apresentam a estrutura familiar monoparental. 

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Como se dá a formação da população do Distrito Federal? Nossa população ainda é composta, em sua maioria, por pessoas de outros estados?

Pela primeira vez, a população do DF é composta majoritariamente por pessoas nascidas no próprio Distrito Federal, cerca de 58% pessoas. Mas, nós ainda temos uma parcela muito significativa de pessoas que vieram de outros estados. O Nordeste é a grande região de onde as pessoas vêm morar na nossa cidade, principalmente a Bahia. Em segundo lugar, temos Goiás, que é uma região vizinha, e ainda temos Minas Gerais.

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Qual é o objetivo fundamental da pesquisa e por que é importante para os gestores públicos?

Um dos fatores principais para a tomada de decisão em qualquer instituição, seja pública ou privada, é a informação. Então, como uma autarquia do Governo do Distrito Federal, que tem a preocupação com a eficiência na gestão, é o nosso papel produzir dados, informações e conhecimento para que o gestor público, principalmente, possa ter um retrato da sua pasta e do seu problema que deve ser enfrentado. Assim, ele pode tomar uma decisão mais assertiva. O principal papel de uma pesquisa como esta é realmente orientar o gestor público na tomada de decisão e na formulação de políticas.

Como foi o trabalho realizado para essa última pesquisa?

Tivemos um longo trabalho, exercido durante oito meses, com mais de 150 pessoas envolvidas. Fizemos 58 mil visitas e tivemos 25 mil questionários validados para a pesquisa. Percorremos as 35 regiões administrativas do Distrito Federal, inclusive, as duas novas (Água Quente e Arapoanga). Além disso, percorremos 12 municípios do Entorno e também a área rural do DF. Por causa disso, conseguimos fazer um retrato de forma ampliada.

Quais foram os principais resultados obtidos pela pesquisa?

Existia um número de habitantes na cabeça das pessoas, que era uma projeção do IBGE que contabilizava 3 milhões de habitantes. Quando o IBGE fez a recontagem no censo, chegou à conclusão que o DF tem cerca de 2,982 milhões de habitantes. Não é que a população da cidade diminuiu, é que o número anterior explicado pelo IBGE era baseado em projeções e, com o último censo, houve uma contagem. Além disso, a população do DF é majoritariamente composta por mulheres (52,3%). A população do DF também é, em sua maioria, parda (46,6%). A média de idade é relativamente baixa, ficando entre 35 anos. Também tivemos um alto índice de pessoas alfabetizadas e que possuem nível médio e superior como formação. 

Sobre as cidades mais populosas. Quais foram os dados que a pesquisa conseguiu reunir?

Ceilândia continua sendo a cidade mais populosa. Depois, temos Samambaia, Plano Piloto, Taguatinga e Gama. O que percebemos é que a população de Águas Claras registrou uma expansão em seu número. É importante ter esse número para que o administrador consiga elaborar ações de mobilidade para a região.

Quando falamos de população, podemos pensar em animais de estimação...

O aumento já tinha sido capturado em momentos atrás e foi confirmado nesta pesquisa que 55% da população do DF tem pet. A maioria dos animais de estimação são cachorros, seguidos por gatos e, depois, vêm animais menores, como passarinhos. Outro ponto importante é que as pessoas escolhem animais de pequeno porte. Fizemos questão de capturar esse aspecto porque também tem toda uma política pública voltada para os pets. Precisam ser discutidas questões de saúde, e precisa ter uma questão de educação em relação à tutoria desses animais. Existe toda uma política que tem que ser olhada.

Devido ao imenso volume de dados, quais tipos de análise e relatório serão realizados?

O primeiro recorte foi divulgado em 21 de fevereiro. Na última sexta-feira, foram publicados os dados por região administrativa, e estamos aguardando uma agenda com a Secretaria de Governo e os administradores regionais para que possamos apresentar de forma mais detalhada esses dados por região administrativa, para que eles entendam o que existe lá dentro e de que forma eles podem usar isso para melhorar a sua gestão. Após isso, vamos fazer a divulgação dos 12 municípios do Entorno e, depois, vamos trabalhar as informações para a divulgação por eixos temáticos como: mobilidade, moradia, saúde, educação, trabalho e renda. Poderemos detalhar esses recortes, para possibilitar o uso direto por parte do gestor.

Na pesquisa, também estão disponíveis os dados de mobilidade escolar nas RAs do DF. O que esses dados indicam?

Mais da metade dos alunos gastam menos de 15 minutos para chegar à escola. Isso é um ganho para a política de educação, principalmente na parte voltada para o transporte. A Fercal merece atenção por constar um tempo de 30 minutos em média para o aluno chegar até à escola. Quando esses dados são segmentados, permite que a gestão responsável dê um olhar diferenciado para a Fercal, por exemplo. Eu reforço a importância desses dados para ter investimentos mais assertivos. 

Outro dado que podemos abordar são os relacionados à religião. O que a pesquisa conseguiu reunir sobre esse tema?

Esse dado era capturado no passado e foi descontinuado. Por demanda tanto de órgãos de governo quanto da sociedade civil, esse dado voltou a ser capturado agora nessa pesquisa. Os católicos no DF ainda são maioria, são quase 50%. Depois, temos os evangélicos (28,3%) e os espíritas (3,3%). A religião é um fator importante na dinâmica de uma sociedade. Por isso, a captura desse tipo de informação, não é só por curiosidade, é importante por que você precisa ter essa noção para formular suas políticas. Existe toda uma questão a ser trabalhada por causa desse bloco.

Como as famílias do DF têm se configurado?

Nós tivemos uma redução na quantidade de casais sem filhos. Esse percentual reduziu e nós tivemos um aumento no percentual de domicílios que nós chamamos monoparentais femininos, que são aqueles domicílios onde a mulher é a chefe da família e cuida da família sem o cônjuge (17%). Então, é um percentual bastante significativo.

Também foi feita a pesquisa de felicidade. Como ela está sendo realizada?

Isso foi uma demanda que surgiu também da sociedade, porque é um tema importante que tem sido conduzido em vários países. A Organização das Nações Unidas (ONU). Ela consegue capturar outras dimensões que não só a dimensão do desenvolvimento humano. Ela tenta justamente capturar esses aspectos da população que a população considera que são importantes para a sua felicidade. Ela está acontecendo via telefone, a nossa central 156 liga para a casa das pessoas. A pesquisa é curta, são poucas perguntas, dura no máximo oito minutos. Quem receber esse tipo de telefonema, atenda, porque isso vai também permitir que o gestor público trabalhe nessas dimensões. É importante ressaltar que a gente não pede dados pessoais das pessoas. Em nenhuma pesquisa que nós fazemos. 

Confira o CB.Poder na íntegra:

*Estagiário sob a supervisão de Patrick Selvatti

 


Luiz Fellipe Alves
postado em 25/03/2025 03:00