
Começa hoje (25/3) no Distrito Federal a campanha de vacinação contra a gripe. São 80 mil doses contra os vírus influenza A (H1N1 e H3N2) e influenza B, que são os de maior circulação do Brasil. Nesta primeira fase, os imunizantes serão aplicados apenas nos grupos prioritários: idosos a partir de 60 anos, crianças de 6 meses a 5 anos e 11 meses, gestantes, puérperas, professores das redes públicas e privadas, indígenas, quilombolas, profissionais da saúde, população privada de liberdade, membros das forças armadas, pessoas com doenças crônicas e em situação de rua já podem garantir a sua proteção. Veja aqui onde se vacinar.
- Distribuição e logística: os desafios da vacinação ao longo do Brasil
- Após um ano de campanha, busca por vacina contra dengue ainda é baixa
- Ainda a Covid-19
Segundo a Secretaria de Saúde do DF (SES-DF), em 2024, foram aplicadas 864.115 doses da vacina contra a influenza, sendo que 466.609 eram para grupos prioritários. A cobertura vacinal ficou abaixo da meta estabelecida, atingindo apenas 62,12%, o menor índice nos últimos 10 anos.
A baixa adesão à vacinação pode ter impacto na incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), embora os números indiquem uma redução progressiva nos casos e óbitos no último ano. Em 2023, o DF registrou 7.177 casos de SRAG e 287 óbitos, enquanto em 2024 esses números caíram para 6.518 casos e 162 mortes. Em 2025, até 23 de março, foram contabilizados 1.194 casos e 11 óbitos.
O objetivo da campanha é reduzir os casos graves da doença e evitar a sobrecarga do sistema de saúde. De acordo com o sanitarista Jonas Brand, o número de atendimentos de síndrome gripal nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) vem crescendo nas últimas semanas. Ainda não é um número alarmante, mas preocupa, pois existe um aumento no número de casos de SRAG no DF. "É importante as pessoas estarem alertas. A qualquer sintoma respiratório, é preciso usar máscara e evitar o contato com as outras", alertou.
A gripe pode parecer uma doença comum, mas em casos mais graves, pode levar a complicações como pneumonia, agravamento de doenças crônicas e até a óbito, principalmente em grupos mais vulneráveis. Ao Correio, o técnico de áudio Wagner Porto, 55 anos, e sua parceira Rafaelle Guimarães, 40, dona de casa, foram ao Centro de Saúde nº 14, no Cruzeiro, atualizar a caderneta de vacinação da filha.
Wagner disse que toma a vacina da gripe apenas quando consegue um tempo livre, mas pretende levar a filha de apenas quatro meses para se vacinar quando tiver idade suficiente. "Aqui no Cruzeiro, a gente é bem assistido. Vejo muita gente do meu trabalho tomando a vacina", disse.
Ao se vacinar, a pessoa protege também a família e a comunidade, diminuindo a transmissão do vírus. O casal aposentado, José Carlos dos Santos, 61, e Odete dos Santos, 68, relatam que tomam a vacina todos os anos e destacam a importância de tomar a vacina. "Todos temos que tomar para sermos protegidos, se um tomar e os outros não, o vírus circula do mesmo jeito. É importante para proteger a si, e ao outro. É uma boa vacina".
Na Unidade de Saúde 13, Asa Norte, a servidora pública aposentada Maria Tereza Rezende, 63, contou que toma a vacina da gripe anualmente e que precisa atualizar outras vacinas, para ficar em dia com a sua caderneta. "Eu tenho muita preocupação com isso. Para mim, é uma coisa muito importante e séria".
Documentos
Para receber a vacina, basta comparecer a uma das salas de vacinação do DF portando um documento de identificação. No caso de profissionais de saúde, professores e outros grupos prioritários, pode ser necessário apresentar um comprovante da condição médica ou profissional, como um crachá ou contracheque. A vacina contra a gripe pode ser administrada junto com outras vacinas. Assim, quem precisa atualizar a caderneta de vacinação pode aproveitar a oportunidade para receber mais de um imunizante.
Por meio de nota, a SES-DF explica que "quem perdeu o cartão de vacinação, a orientação é procurar a sala onde recebeu as vacinas e tentar resgatar o histórico de vacinação. Caso não seja possível, será vacinado de acordo com as vacinas preconizadas para cada faixa etária e será feito novo cartão. A ausência da caderneta não é um impeditivo para vacinar. Caso a pessoa não possua carteira de vacinação ou identidade, é possível se vacinar apresentando a certidão de nascimento."
*Estagiários sob a supervisão de Márcia Machado
Saiba Mais