Coxa e sobrecoxa de frango, carne ao molho com batatas e feijoada são alguns dos pratos principais da semana nos Restaurantes Comunitários do Distrito Federal. Entre os acompanhamentos, estão arroz branco e feijão carioca ou preto, além de guarnições como pirão de carne, farofa de couve e macarrão ao molho vermelho.
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Com pratos diversificados, os RCs visam comercializar refeições adequadas e saudáveis a preços acessíveis. É um programa criado pelo Governo do Distrito Federal, por meio da Lei Nº 4.208, em 2008, com vistas a contribuir com o Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA), cujas premissas são garantir a disponibilidade ao alimento de qualidade — englobando aspectos higiênico-sanitários e da cultura alimentar da população local —, além da acessibilidade ao alimento de forma sustentável, ininterrupta e que não interfira no proveito de outros direitos humanos essenciais.
O almoço custa R$ 1 para o público em geral e é gratuito para a população em situação de rua, referenciada pela equipe de Abordagem Social da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes). Diariamente, cada unidade atende, em média, 2 mil pessoas, sendo os refeitórios de Ceilândia, Planaltina e Samambaia os mais movimentados, superando 4 mil frequentadores nas sextas-feiras, quando é servida a tradicional feijoada.
Atualmente, o DF tem 15 RCs, localizadas em Brazlândia, Ceilândia, Estrutural, Gama, Itapoã, Paranoá, Planaltina, Recanto das Emas, Riacho Fundo II, Samambaia, Santa Maria, São Sebastião, Sobradinho e Sol Nascente (com duas unidade). Em agosto, foi inaugurado o mais recente Rorizão, como os RCs são popularmente conhecidos, no Sol Nascente/Pôr do Sol. Já nas próximas semanas, Arniqueira passa a contar com um refeitório. As unidades de Varjão, Samambaia e Ceilândia (Setor O) estão em construção e devem ser entregues no ano que vem, conforme previsão da Sedes.
Os refeitórios de Planaltina, Recanto das Emas e Sol Nascente/Pôr do Sol oferecem, ainda, café da manhã e jantar, no valor de R$ 0,50 cada, e funcionam diariamente, incluindo finais de semana e feriados. "Esse modelo vai se estender aos demais à medida que os contratos antigos para prestações de serviço com as atuais empresas gestoras forem concluídos e novos se iniciarem", afirmou a pasta.
Economia
Ismael Sousa, 38, é vendedor de carros na Estrutural e todos os dias almoça no RC da cidade. O programa, conforme avaliou, é muito positivo, visto que une refeições balanceadas e preço acessível. "Acredito que o único ponto a ser melhorado diz respeito à segurança do local, porque têm pessoas que vêm para fazer algazarra, então, poderia ter mais vigilantes", sugeriu.
Já a estudante Ludmila Vitória, 19, frequenta o RC do Riacho Fundo II ao menos uma vez na semana. Responsável pelo almoço de casa, onde mora com os pais, ela relatou sentir desânimo em cozinhar todos os dias, então, vez ou outra, opta pelo Rorizão. Questionada sobre seu prato preferido, prontamente elegeu a feijoada, servida todas as sextas-feiras.
"Das outras opções, também gosto, mas acho que poderiam ser mais reforçados, com maior quantidade de carboidratos, para 'encher'", avaliou a jovem. No entanto, o nutricionista do RC da região, Matheus Farias, lembrou que todas as refeições são elaboradas por especialistas e visam suprir os nutrientes necessários para o organismo. "Tudo é pensado com base em um termo de referência, responsável por definir as características dos alimentos, como a quantidade de calorias e a gramatura", explicou.
Com tantos frequentadores nos restaurantes, há quem aprove e quem considere que é possível melhorar as refeições. Dona Sebastiana Gomes, 67, que o diga. A aposentada já almoçou nos RCs da Ceilândia, Recanto das Emas e Águas Lindas, em Goiás. "Quando estou resolvendo pendências na rua, aproveito para comer no Rorizão e, às vezes, preparo uma marmita para levar e jantar à noite", comentou.
Sobre a qualidade dos pratos, avaliou que, em Ceilândia, vale aprimorar o preparo das carnes, que, segundo ela, têm muita gordura. No Recanto das Emas e em Águas Lindas, porém, as refeições estão aprovadas. "Esses serviços fazem diferença na vida de muita gente. Mesmo assim, sempre tem alguém pedindo dinheiro na fila para completar o valor da comida. É duro, não é?", lamentou.
Necessidade
O autônomo Rafael da Silva, 37, é cliente assíduo no RC de Samambaia, localizado na entrada da região. "Me separei e não sei cozinhar nada, nem mesmo fazer café", admitiu, aos risos. Assim como Ludmila, elegeu a feijoada como o melhor prato do Rorizão, além de apreciar o café da manhã, no qual são servidos leite, café, uma fruta da estação e um tipo de panificação, que pode ser cuscuz, rosca, bolo, pão ou biscoito de queijo.
No RC da Estrutural, o aposentado José Valentino Bezerra, 83, também tem presença garantida diariamente. Idoso e sozinho, ele não tem quem faça comida em casa, nem gosta de almoçar desacompanhado. "Não vale a pena cozinhar apenas para mim", disse. No que tange ao sabor das refeições, é categórico: "Tem dias bons e tem dias ruins. Mas é barato e saudável, então, sempre venho".
Clodoaldo Araújo, 44, por outro lado, relatou nunca desperdiçar a comida do RC de Ceilândia, a qual considera muito boa. Em situação de rua, o artesão contou que frequenta o Rorizão da cidade desde a fundação e, por vezes, também toma café. "É bom porque é para todo mundo", conclui, referindo-se à importância do serviço para a população.
Funcionamento
- Café da manhã
07h às 08h30 — R$ 0,50
- Almoço
11h às 14h — R$ 1
- Jantar
17h às 19h — R$ 0,50
*Exclusivamente, nos Restaurantes Comunitários do Recanto das Emas, Sol Nascente/ Pôr do Sol e Planaltina são servidos café da manhã, almoço e jantar de segunda a domingo.