"Chegou a hora da fogueira! É noite de São João! O céu fica todo iluminado, fica o céu todo estrelado, pintadinho de balão." Está aberta a temporada de um dos eventos mais aguardados do ano: as festas juninas. Depois de um intervalo de dois anos por causa da pandemia, as danças, comidas típicas e o compasso do forró voltam a alegrar os moradores do Distrito Federal. Para se aconchegar no mês do frio, o que não falta são opções para curtir um bom arraiá na capital, que conta com mais de 40 folias na programação.
O arraiá é tradição no Distrito Federal. Ainda nos anos 60, após a inauguração de Brasília, o São João da capital tomava conta da Rodoviária do Plano Piloto. Com o passar do tempo, todas as regiões administrativas começaram a ter suas celebrações, em especial Ceilândia. Segundo a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF, a relação é fruto da origem nordestina de muitos pioneiros da região. Agora, o arraiá é tradicional em todo o quadradinho e já tem sotaque próprio.
Últimos preparos para a festa
Uma das festas juninas mais marcantes da capital é a do Iate Clube de Brasília. Com mais de 40 anos de história, o arraiá na beira do lago começou nesta quinta-feira e se estende até sábado. Para o comodoro do clube, Flávio Martins Pimentel, 64 anos, a festa pretende receber mais de 5 mil pessoas em cada um dos três dias de curtição.
A edição deste ano terá o tema "Resgatando Tradições" e espera trazer de volta o costume de arraiais após os anos de pandemia. Para isso, o comodoro convida o público e afirma que valerá a pena relembrar outras festanças. "O que eu percebo depois desse período pandêmico é uma expectativa muito grande das pessoas em reviver as experiências juninas. Quem vier não vai se arrepender", completa Flávio.
Responsável por receber outra das mais tradicionais festas juninas do DF, o frei João Benedito, 52, pároco e reitor do Santuário São Francisco, na Asa Norte, diz que está ansioso para o retorno do arraiá que é, desde 1982, um sucesso de público. Ainda que a pausa tenha deixado os fiéis longe do templo, a expectativa para a festa é de muita comida, música e celebração, além do grande público. "Voltaremos à normalidade e grandiosidade da festa do Santuário São Francisco", planeja. De acordo com o frei há um grande grupo de pessoas se preparando diariamente para consolidar e terminar os últimos preparativos para as festas juninas, que acontecem na Asa Norte, em 24 e 25 de junho. Ansioso para a chegada da data, o religioso ressalta a importância desse componente cultural para o DF, que ajudará a vencer as tristezas deixadas pela pandemia.
Amor pelo arraiá
O que não falta nos arraiais são as quadrilhas. O atendente de telemarketing Lucas Matheus da Silva, 24, integra o Elite do Cerrado, grupo junino de Santa Maria que conta com as disputadas competições da dança. Ele começou a participar das quadrilhas devido ao amor pela arte, seja ela na forma de dança ou música. Assim, se encontrou como dançarino e brincante da cultura popular.
Para o jovem, a expectativa é a mais alta possível após dois anos sem se apresentar, mas reforça que o alerta ainda deve ficar ligado. "Todos nós sabemos que a pandemia ainda não acabou, mas só de ter a oportunidade de dançar sem usar máscara já é melhor, o sorriso no rosto de cada participante é uma energia de outro mundo. Não deixe de acompanhar a quadrilha junina Elite do Cerrado para ver o trabalho incrível desse grupo", convida.
A professora de inglês Juliana de Melo, 25, carrega desde pequena uma enorme paixão pelas tradicionais festas juninas. Inserida nas danças da quadrilha há 9 anos, ela relembra que, ainda criança, costumava se empolgar com as apresentações que assistia. Logo que entrou em uma nova escola, esse sentimento de carinho aflorou pois os coordenadores incentivavam a participação dos alunos, o que motivou os primeiros passos da jovem nas coreografias da festa.
Integrante da equipe de dança Xem Nhem Nhem, Juliana é moradora de Santa Maria e não disfarça a empolgação com o retorno das festanças. "Eu estou bem ansiosa, tanto pela expectativa de dançar novamente. Meus sentimentos se voltam mais para a vontade de dançar, vestir o traje, ensaiar e prestigiar os outros grupos juninos também", relata.
Competições juninas
Além da cultura típica e da grande festa, o DF também se rende à tradição das competições das quadrilhas juninas. O produtor cultural, Patrese Ricardo da Silva, 36, está à frente do movimento desde a fundação da instituição responsável pelo circuito. Para este ano, ele destaca que somente 28 grupos estão inscritos, apesar do Distrito Federal contar com 32 equipes. A competição, apoiada pelo Fundo de Apoio a Cultura (FAC), está presente em 8 regiões administrativas.
O vencedor deste campeonato, segundo Patrese, disputará o concurso nacional, que é realizado pela Confederação Brasileira de Quadrilhas Juninas (Confebraq). O evento será realizado em Belo Horizonte (MG). "O critério para eleger o vencedor se dá por 4 etapas do circuito junino. Ele é julgado por uma banca de avaliadores renomados, por quesitos específicos da competição através de um regulamento interno", explica. Ao cumprir todas as fases, o grupo com a maior pontuação é declarado campeão.
Arraiá da Aeronáutica
A Praça de Esportes dos Oficiais da Base Aérea de Brasília, conhecida como Clubinho, sediará a tradicional Festa Junina da Aeronáutica. A festança da força armada promete atrações como shows ao vivo, comidas típicas e sorteio de brindes.
A festa militar acontece nos dias 24 e 25 de junho, a partir das 19h, tendendo a acabar à 0h. O valor da entrada inteira custa R$ 40. Crianças abaixo dos seis anos de idade não pagam ingresso. A meia-entrada pode ser adquirida com a doação de um quilo de alimento não perecível, exceto sal.
*Estagiários sob a supervisão
de Márcia Machado
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