O morador de Águas Claras que precisou de um guindaste para receber um sofá vai processar o vizinho que divulgou o nome dele, além do endereço e profissão, em um grupo na rede social — com mais de 74 mil membros. Rodrigo Robert, 43 anos, afirmou ao Correio que não houve tentativa de contato antes da exposição dos dados.
"Fiquei chocado com a situação. Eu já tinha me posicionado no grupo do meu condomínio, explicando o ocorrido e afirmando que o dano seria reparado. Assumi a responsabilidade da ação", contou o empresário do ramo imobiliário. A entrega do sofá foi feita na sexta-feira (24/12).
Rodrigo, que mora em Águas Claras há 11 anos, pede reparação pela exposição causada pelo vizinho. "As pessoas me conhecem. Divulgar meu apartamento e meu nome não tem cabimento. É indiscutível (a resolução judicial), é um dano que as pessoas precisam ter responsabilidade. Não vai ficar assim", relatou o morador.
"Sem entrar no mérito do fato (dano à calçada), mas ele não podia ter divulgado meu apartamento e meu nome daquela forma. Era simples, bastasse dizer que o dano havia sido feito, mas sem exposição. Se ele tivesse me procurado e eu tivesse negado o reparo, aí até poderia ter sido mais incisivo, mas aleatoriamente não poderia ter feito (a exposição)", defendeu.
O empresário reivindica reparo aos prejuízos morais causados. "Ele deve ter responsabilidade na informação. Não quero cerceá-lo, mas ele deve reparar o prejuízo moral que me causou. O jurídico da minha empresa está acionado e, quando o Judiciário voltar (do recesso), vamos entrar com a ação", frisou.
Entenda
A confusão começou depois que Román Dario, um dos administradores do grupo Associação de Moradores e Amigos de Águas Claras (Amaac), fez uma publicação, na sexta-feira (24/12), na página sobre o ocorrido. Durante o transporte do sofá por guindaste, o caminhão acabou danificando a calçada próxima ao prédio.
No texto, Román exigiu que Rodrigo reparasse o dano causado à calçada e divulgou não apenas o nome, mas também o número do apartamento e a profissão do empresário. Segundo Rodrigo, a exposição foi feita mesmo depois de ele assumir que consertaria a passagem.
"Se a chuva deixar, os reparos vão começar na segunda-feira. É coisa de meio dia de trabalho, não tenho problema nenhum em arcar, foi um dano simples. O 'horror' se instalou por conta do incidente com a calçada. O que me espantou foi o 'cancelamento' das pessoas na internet e a forma com que agridem os outros deliberadamente, sem saber a vida nem a conduta da pessoa. É um retrato da nossa sociedade", lamentou Rodrigo.
Segundo o dono do sofá, não foi a primeira vez que a solução do guindaste foi usada no edifício onde mora. "Tem dois meses que me mudei, não tinha sofá em casa. Tomei essa atitude porque o transporte por guindaste é recorrente no meu prédio. Eu perguntei na administração do edifício e me disseram que já havia acontecido antes, em apartamentos do 20º andar, por exemplo", relatou o homem, cuja unidade fica no primeiro pavimento.
Outro lado
O Correio procurou Román Dario, que afirmou não ter entrado em contato antes da postagem por não ter o telefone de Rodrigo. "Depois da publicação, ele se identificou, me mandou mensagem e se comprometeu a resolver o problema", explicou.
Quanto à acusação de exposição, Román se defendeu. "O apartamento é facilmente identificável pela entrega. Qualquer morador da redondeza sabe qual foi, pelas fotos. Quanto ao nome, foi publicado o primeiro nome e iniciais dos demais", atestou o administrador do grupo.
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