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URBANISMO

Novo complexo ao redor do Mané Garrincha recebe sinal verde do Iphan

Iphan aprova novas construções em volta do Mané Garrincha, com instalação de um complexo de esporte, lazer e gastronomia

O espaço que cerca o Estádio Nacional Mané Garrincha será transformado, nos próximos anos, para dar ao Distrito Federal um novo complexo de edificações. O projeto prevê a construção de diferentes pontos de comércio, gastronomia, esporte, entretenimento e lazer, a partir da demolição de quadras do Complexo Esportivo Presidente Médici e do Complexo Aquático Cláudio Coutinho. A área é extensa e faz parte do perímetro tombado do Conjunto Urbanístico de Brasília (CUB), o que torna a proposta complexa. No entanto, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) analisou os documentos e aprovou as intervenções. O parecer técnico do órgão foi um dos passos mais importantes para que se iniciem as obras do projeto, que deve começar a entregar as primeiras edificações em 2022.

“Era algo que a gente debatia desde 2015, e que agora estamos indo para a construção efetiva. O espaço tem quase 145 mil m² de área, localizada no centro da capital, e deve servir como posto de trabalho para cerca de 4 mil pessoas no DF. A ideia é proporcionar mais um point de Brasília, algo inovador para moradores e turistas”, explica o presidente do Consórcio Arena BSB, Richard Dubois. O investimento total chega a R$ 1 bilhão. “Faltam mais algumas pequenas etapas para começo das obras, mas não vemos grandes riscos ou problemas, então devemos dar início nos próximos 45 dias. A aprovação do Iphan tem um peso enorme e foi fundamental.”, estima Richard.

No parecer técnico, o Instituto do Patrimônio avaliou a volumetria arquitetônica das edificações propostas e o impacto à preservação do CUB. A análise considerou que o projeto “mostra-se em conformidade com os parâmetros estabelecidos à proteção do Conjunto Urbanístico de Brasília no que tange ao Setor de Recreação Pública Norte, não havendo riscos à preservação do bem tombado”, concluindo que não há “nenhum impeditivo para a aprovação do projeto”. O único ponto de preocupação ressaltado pelo órgão é a possibilidade de cercamento da área, pois a legislação proíbe essa ação, mas as empresas envolvidas no empreendimento não manifestaram intenção de fechar o local com cercas.

Arquitetura

As empresas que trabalham no projeto arquitetônico do complexo, a ARQBR Arquitetura e Urbanismo e o escritório GSR, entendem a ideia como algo grande, mas prazeroso. “Recebemos um edital com as demandas da Arena BSB e as restrições da legislação do DF, então fizemos lançamentos necessários para atender a todas as partes. O sentimento é de felicidade por ter a oportunidade de realizar algo em um local tão simbólico para Brasília, que tenta entender a cidade, respeitando o que Lúcio Costa pensou e adaptando a uma realidade nova”, comentou o sócio da ARQBR André Velloso, arquiteto e urbanista.

Um dos principais pilares da proposta é ter um espaço aberto, diferente dos grandes shoppings centers e acessível para pedestres e ciclistas. A localização privilegiada também permite que o ponto se torne um mirante para a cidade, permitindo uma vista ampla de Brasília. Outras características do complexo serão a sustentabilidade e a arborização.

O parecer técnico do Iphan lembra que a responsabilidade por avaliar, adequar e aprovar o empreendimento à luz da legislação de uso e ocupação do solo e aos parâmetros arquitetônicos expressos no Código de Edificações será de responsabilidade da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh).

Dados

165 hectares
Área aproximada do Setor de Recreação Pública Norte

R$ 1 bilhão
Investimento total previsto

4 mil
Previsão de empregos gerados