A inteligência artificial (IA) está se tornando um elemento crucial na estratégia da China para se afirmar como uma potência global. O país asiático busca transformar suas inovações tecnológicas em ganhos econômicos significativos, mas enfrenta desafios tanto externos, como a competição com os Estados Unidos, quanto internos, como o controle rígido do Partido Comunista Chinês.
Historicamente, revoluções tecnológicas têm sido fundamentais para mudanças no equilíbrio de poder global. A ascensão dos Estados Unidos no século XX, por exemplo, foi impulsionada pela adoção em massa de eletricidade e automóveis. De forma semelhante, a IA oferece à China uma oportunidade de redefinir sua posição no cenário internacional.
Como a China está avançando na inovação em IA?
A China tem feito progressos significativos na área de inteligência artificial, com empresas como a DeepSeek liderando o caminho. Localizada em Hangzhou, a DeepSeek desenvolveu modelos de treinamento de IA que competem com gigantes ocidentais como a OpenAI, mas a um custo muito menor. Este avanço é um indicativo do potencial da China para fechar a lacuna tecnológica com os Estados Unidos.
O governo chinês, sob a liderança de Xi Jinping, está mobilizando suas principais empresas para fortalecer a posição do país em tecnologia. Empresas como a BYD e a Huawei estão na vanguarda desses esforços, especialmente no desenvolvimento de chips de alta tecnologia para competir com empresas como a Nvidia dos Estados Unidos.

Quais são os desafios para a difusão da IA na China?
Apesar dos avanços, a China enfrenta desafios significativos na adoção ampla da IA em sua economia. Um dos principais obstáculos é o que alguns especialistas chamam de “déficit de difusão”. Isso se refere à dificuldade de integrar novas tecnologias em diversos setores da economia, algo que requer uma infraestrutura de habilidades robusta.
O controle estatal e a censura também representam barreiras. Embora a China possua vastos recursos de dados para treinar modelos de IA, as restrições impostas pelo governo para garantir que esses modelos adiram aos “valores socialistas” podem limitar o progresso. Além disso, a política de planejamento industrial da China, que favorece certas indústrias, pode resultar em alocação ineficiente de recursos.
O Futuro da IA na economia chinesa
Para que a China maximize os benefícios da inteligência artificial, será necessário um esforço coordenado para melhorar a infraestrutura educacional e permitir que empresas privadas tenham mais liberdade para inovar. Analistas estimam que a IA poderia aumentar a produtividade na China em 8% na próxima década, mas isso ainda fica atrás dos 15% projetados para os Estados Unidos.
Embora a China ainda esteja nos estágios iniciais de sua jornada em IA, o potencial para crescimento econômico e inovação é significativo. Com investimentos estratégicos e políticas que incentivem a adoção tecnológica, a China pode superar os desafios atuais e se posicionar como líder global em inteligência artificial.