Santo Antônio do Pinhal, uma pequena cidade no interior de São Paulo, tem se destacado no cenário das criptomoedas. Com pouco mais de 7 mil habitantes, a cidade se tornou um ponto de referência no btcmap.org, um aplicativo que mapeia locais onde é possível realizar transações com bitcoins. Em menos de um ano, a cidade se aproximou de Rolante, no Rio Grande do Sul, conhecida como a capital mundial do bitcoin.
Atualmente, Santo Antônio do Pinhal conta com 79 estabelecimentos que aceitam a moeda digital, um número expressivo para uma cidade de seu porte. Esse movimento foi impulsionado por Pedro Fadida, um terapeuta holístico que, inspirado pelo projeto “Bitcoin é Aqui!” de Rolante, decidiu implementar a ideia em sua cidade.
Como Santo Antônio do Pinhal se tornou “Bitcoin Friendly”?
A iniciativa de Fadida começou com a busca por apoio da Associação Comercial e Turística de Santo Antônio do Pinhal (Acasap). Com o aval da associação, o projeto ganhou credibilidade e atraiu a atenção de comerciantes locais. A primeira apresentação do projeto, chamada Bitcoin Amantikir, ocorreu em novembro de 2024, e apesar da desconfiança inicial, alguns comerciantes aderiram rapidamente.
Entre os primeiros a aceitar bitcoins estavam Dione Baleeiro, da imobiliária Baleeiro Schmidt, e Rafael Castro, da sorveteria Senhora Sobremesa. Em poucas semanas, outros 66 comerciantes se juntaram ao movimento, totalizando 69 participantes até o momento. Fadida continua a promover o uso do bitcoin, destacando sua filosofia de descentralização econômica.

Quais são as vantagens para os comerciantes?
Para os comerciantes, a adesão ao bitcoin não requer investimentos tecnológicos significativos. Basta baixar um aplicativo gratuito, e o único custo em Santo Antônio do Pinhal é uma mensalidade de R$ 19,90, destinada à organização de eventos e palestras. Fabiano Oliveira, proprietário da Matinal Doceria, afirma que o treinamento dos funcionários para operar com bitcoins foi simples e mais fácil do que lidar com cartões de crédito.
Os pagamentos são feitos em satoshis, a menor unidade do bitcoin, o que facilita transações de baixo valor, como um café espresso. Além disso, o BTC Map tem sido uma ferramenta eficaz para atrair turistas, como um casal de americanos que visitou a cidade especificamente para gastar bitcoins.
O impacto do bitcoin no turismo local
Santo Antônio do Pinhal não depende exclusivamente do bitcoin para atrair turistas, mas a moeda digital tem potencial para diversificar e aumentar o fluxo de visitantes. A cidade já é um destino popular, especialmente para moradores do Vale do Paraíba, mas a visibilidade no BTC Map pode atrair turistas de regiões mais distantes.
Os comerciantes têm a opção de converter os bitcoins recebidos em reais ou mantê-los como investimento. A proposta de Fadida é fomentar uma economia circular, incentivando o uso do bitcoin dentro da própria comunidade.
O futuro do bitcoin em Santo Antônio do Pinhal
Inspirados por Rolante, onde eventos temáticos já são uma realidade, os comerciantes de Santo Antônio do Pinhal planejam implementar um calendário de eventos relacionados ao bitcoin. Fadida está organizando o projeto educativo Café com Bitcoin e um festival em agosto, que contará com música e palestrantes internacionais, envolvendo cidades vizinhas.
Com o crescimento do uso de bitcoins e a organização de eventos, Santo Antônio do Pinhal está se consolidando como um destino inovador e atrativo para os entusiastas da criptomoeda, prometendo um futuro promissor para a economia local.