PATRIMÔNIO

Unesco reconhece três locais brasileiros ligados à memória da escravidão

Sítios históricos no Rio de Janeiro, Bahia e Alagoas integram iniciativa da Unesco; Brasil passa a ter seis representantes no projeto global

Principal ponto de desembarque de africanos escravizados nas Américas, o Cais do Valongo já é Patrimônio Mundial da Unesco desde 2017 -  (crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil)
Principal ponto de desembarque de africanos escravizados nas Américas, o Cais do Valongo já é Patrimônio Mundial da Unesco desde 2017 - (crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Três espaços que preservam diferentes capítulos da história da população negra no Brasil passaram a integrar uma iniciativa internacional dedicada à memória da escravidão e da resistência ao sistema escravista. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) anunciou, na sexta-feira (23/10), a inclusão de locais no Rio de Janeiro, na Bahia e em Alagoas na Rede de Lugares de História e Memória relacionados à Escravidão e ao Tráfico de Pessoas Escravizadas.

Os novos integrantes são o Cais do Valongo, na capital fluminense; a Sociedade Protetora dos Desvalidos, em Salvador; e a Serra da Barriga, em União dos Palmares. Embora tenham trajetórias distintas, os três lugares ajudam a compreender tanto a violência da escravização quanto as formas de organização, solidariedade e resistência construídas pela população negra ao longo da história brasileira.

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No Rio de Janeiro, o Cais do Valongo conserva vestígios de um dos principais locais de chegada de africanas e africanos escravizados às Américas. Reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco desde 2017, o sítio arqueológico constitui um testemunho material do tráfico transatlântico e da dimensão que a escravidão alcançou no país.

A memória da resistência também está presente na Serra da Barriga, em Alagoas, onde se encontra o Parque Memorial Quilombo dos Palmares. O território guarda a história de uma das mais importantes experiências de enfrentamento ao regime escravista no Brasil, tornando-se uma referência da luta da população negra pela liberdade.

Parque Memorial do Quilombo dos Parmares na Serra da Barriga
Situada em Alagoas, a Serra da Barriga abriga o Parque Memorial Quilombo dos Palmares, símbolo máximo do enfrentamento ao regime escravista (foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Já em Salvador, a Sociedade Protetora dos Desvalidos representa outra dimensão dessa trajetória. Sua história, iniciada no século XIX, está associada à criação de redes de apoio e solidariedade entre pessoas negras, demonstrando a importância da organização coletiva diante das desigualdades e das consequências da escravidão.

Sociedade Protetora dos Desalidos
Criada no século XIX em Salvador, a Sociedade Protetora dos Desvalidos representa o pioneirismo das redes de apoio coletivo e solidariedade negra (foto: Paul R. Burley/Wikipédia )

Preservação e educação

O reconhecimento amplia a presença brasileira na rede internacional criada pela Unesco em 2024. A iniciativa reúne lugares associados à escravidão e ao tráfico de pessoas escravizadas, com o objetivo de assegurar a preservação desses espaços e estimular a transmissão de suas histórias às novas gerações.

Além da proteção da memória, o projeto incentiva a troca de experiências entre os participantes e o desenvolvimento de atividades educativas, especialmente aquelas que envolvem as comunidades ligadas aos territórios reconhecidos.

O Brasil já contava com três instituições na iniciativa: o Museu da Inconfidência, em Minas Gerais, o Museu Casa da Hera e o Museu da República, ambos no Rio de Janeiro. Com as novas inscrições, o país passa a ter seis representantes na rede.

A apresentação das candidaturas nacionais é coordenada pelas Comissões Nacionais para a Unesco. No caso brasileiro, essa atribuição cabe ao Ministério das Relações Exteriores, responsável pela articulação do país com a organização internacional.

Em nota do Ministério das Relações Exteriores, o governo brasileiro comemorou a inclusão dos três locais e destacou a importância do reconhecimento para a preservação da memória histórica.

Segundo o MRE, a medida também busca valorizar as experiências de resistência da população negra e fortalecer iniciativas de educação que permitam às novas gerações conhecer as consequências da escravidão e o papel daqueles que lutaram contra ela.

  • Cais do Valongo
    Principal ponto de desembarque de africanos escravizados nas Américas, o Cais do Valongo já é Patrimônio Mundial da Unesco desde 2017 Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
  • Parque Memorial do Quilombo dos Parmares na Serra da Barriga
    Situada em Alagoas, a Serra da Barriga abriga o Parque Memorial Quilombo dos Palmares, símbolo máximo do enfrentamento ao regime escravista Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
  • Sociedade Protetora dos Desalidos
    Criada no século XIX em Salvador, a Sociedade Protetora dos Desvalidos representa o pioneirismo das redes de apoio coletivo e solidariedade negra Foto: Paul R. Burley/Wikipédia
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postado em 27/10/2026 11:50 / atualizado em 27/10/2026 11:50
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