
Um adolescente de 14 anos é apontado como um dos líderes de uma rede de crimes de ódio contra menores. Ele foi um dos alvos da operação Adolescência Segura, deflagrada nesta terça-feira (15/4) em sete estados. A delegada Ana Cláudia Medina, da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, afirmou que o adolescente tinha um alto cargo no grupo de crimes de ódio.
"O adolescente tinha um cargo de relevância no grupo criminoso na incitação ao extremismo e crimes de ódio, Ele atuava como administrador do grupo nas plataformas digitais, o que lhe dava inclusive autonomia para decisões e praticas criminosas, No MS se mostrou um elo importante na engenharia criminosa estando todos os demais alvos de busca e apreensão relacionados ao adolescente em questão", comentou a delegada Ana Claudia Medina.
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul destacou que a organização atuava no ambiente virtual promovendo extremismo, automutilação, aliciamento e incitação à violência entre adolescentes.
Ao todo, foram cumpridos cerca de 20 mandados de busca e apreensão, com o registro de duas prisões temporárias de adultos e sete internações provisórias de adolescentes, em ações realizadas nos estados de Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás.
As investigações apontaram que o grupo atuava em plataformas criptografadas, como Discord e Telegram, além de redes sociais, para atrair jovens e incentivá-los à prática de automutilação, maus-tratos a animais, propagação de discursos de ódio e sugestões de atos violentos.
"Os participantes mais ativos recebiam recompensas simbólicas como estímulo às condutas ilícitas. Os investigados poderão responder por associação criminosa, indução ou instigação à automutilação, maus-tratos a animais e outros crimes, cujas penas somadas ultrapassam 10 anos de prisão", cita a Polícia Civil.
Início das investigações
As investigações iniciaram em 18 de fevereiro, quando um homem em situação em rua que estava dormindo foi atacado e teve 70% do corpo queimado por um adolescente que atirou dois coquetéis molotov, enquanto um homem filmava toda a ação e transmitia em tempo real em uma plataforma online.
"A partir disso, e, após um incessante trabalho de inteligência, monitoramento e cruzamento de dados, policiais descobriram que o crime bárbaro não se tratava de um fato isolado. Os administradores do servidor utilizado no crime compunham verdadeira organização criminosa altamente especializada em diversos crimes cibernéticos, tendo como principais alvos, crianças e adolescentes", frisa a Polícia Civil do Rio de Janeiro.
Duas agências independentes dos Estados Unidos emitiram relatórios sobre os fatos, contribuindo com o trabalho dos policiais civis envolvidos no caso.
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O Correio tenta contato com a Polícia Civil do Mato Grosso do Sul e do Rio de Janeiro, mas até a publicação desta matéria o jornal não obteve retorno.