Após passar três anos preso, o porteiro Paulo Alberto da Silva foi solto na noite de sexta-feira (12/5). Ele foi acusado em 62 processos após erro no sistema de reconhecimento fotógrafico. A ordem de soltura foi emitida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), depois da votação unânime dos ministros — que entenderam que as acusações eram infundadas. Em entrevista coletiva, Paulo se emocionou com a saída da cadeia e disse ter certeza que foi vítima do racismo.
"Tô muito feliz de estar perto da minha família, saber que vou ver meus filhos. Acabou aquele inferno lá dentro, que vivi injustamente", disse a jornalistas. A conclusão para a prisão do porteiro foi baseada em fotos de suspeitos afixadas na entrada de uma delegacia e no reconhecimento de fotos de redes sociais de origem desconhecida. Ele estava preso desde 2020, na Cadeia Pública Cotrim Neto, no Rio de Janeiro.
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Segundo a Defensoria Pública do Rio de Janeiro (DPRJ), Paulo não tinha antecedentes criminais, mas foi apontado como suspeito de crimes. Além disso, ele não teria sido ouvido pela polícia em nenhum dos processos. A defensora Lucia Helena Barros, coordenadora de defesa criminal da DPRJ, ressaltou que oito em cada dez presos injustamente por reconhecimento fotográfico são negros.
"Os casos de erros em reconhecimento fotográfico acabam provocando prisões e/ou condenações injustas, além de reforçarem a seletividade de nosso sistema penal. É necessário um esforço conjunto de todos que atuam no processo penal para se evitar injustiças, que acabam culminando com prejuízos irreparáveis à pessoa condenada, familiares e, também, à sociedade," ponderou a defensora.
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