Ela conta que sempre pedia animais para a mãe, mas a família morava em uma casa pequena ; ficava complicado ter muitos pets. Quando a família se mudou para um espaço mais amplo, Renata, então com 4 anos, ganhou uma dachshund chamada Flicka. Durante cinco anos, a família conviveu apenas com Flicka e com um papagaio. "Eu amava os dois, vivia andando com o papagaio na minha minha cabeça", conta.
A jovem, no entanto, não se contentava com os pets que tinha. Sempre que via animais na rua, levava para casa, alimentava e tentava convencer a mãe a adotá-los. A questão do espaço era sempre ponderada por Maria Amélia, o que não impediu a chegada de Brisa, uma weimaraner. Foi nessa época que Renata viveu a experiência mais marcante em sua relação com os animais. A família morava no interior de Minas Gerais, onde havia o costume de comprar galinhas vivas, para cozinhar em casa. Um dia, Maria Amélia comprou um frango, deu as instruções para a cozinheira e saiu para trabalhar.
O resultado foi que a família ficou sem almoço. Renata fez amizade com o frango e não permitiu que ele fosse morto. A mãe foi conversar com a menina, explicando que bicho era um alimento e que ela comia carne todos os dias. Nesse momento, Renata, que tinha 9 anos, tomou uma decisão: "Então não vou mais comer frango". Os pais acharam que era uma fase, mas o fato é que, daquele dia em diante, ela se tornou vegetariana.
E a história não acabou aí. Quando a família se mudou para Brasília, as duas cadelas, Flicka e Brisa vieram na bagagem. Nesse momento, houve a tentativa de adotar um hamster. Mas Renata teve uma forte alergia e ele precisou ser doado. Daí Renata encontrou um pássaro ferido na rua e não pensou duas vezes em abrigá-lo. "Meu avô sempre gostou de animais e me ajudou a cuidar desse passarinho, ele voltou a voar e acabamos descobrindo que ele era um gavião." Depois de um mês se recuperando, o gavião acabou não se adaptando à vida doméstica e morreu.
Renata tem dois irmãos: Rafaela, 25, e Luiz Eduardo, 9. Porém, o conceito de família vive se expandindo. Quando Flicka morreu, a casa ganhou a poodle Mel. "Ela foi meu xodó, tinha até pijaminha para dormir comigo", conta a estudante. Depois, veio o peixe beta Mário Neto, que viveu dois anos, feliz em seu aquário. A seu tempo, Brisa e Mel também se foram. Ficaram, porém, os filhotinhos desta, Pitty e Tita. Os agregados mais recentes são Cravo e Rosa, papagaios devidamente autorizados pelo Ibama. "Eu tenho pelos animais o mesmo sentimento que tenho pelas pessoas, não consigo vê-los como seres inferiores", conclui a defensora dos animais.
Cabe mais um?
O número de pets é grande, mas o amor por eles é ainda maior. Cláudia conta que não consegue definir qual foi o momento exato em que se apaixonou por animais. "Eu pegava muitos animais na rua. Morava em casa e cuidava dos gatos que viviam por ali, nos telhados ou na rua." Em suas lembranças mais remotas, os bichanos são uma constante. Certa vez, aos 4 anos, ela frustrou uma ida da família ao cinema para não se afastar da gatinha de estimação. "Comecei falando bem baixinho, depois fui aumentando a voz: ;Quero ir para casa brincar com minha gata;. Até minha mãe me levar embora", diverte-se.
Cláudia cresceu e sua relação com os animais foi ficando cada vez mais forte. Em 2005, em parceria com duas amigas, criou um grupo independente de protetores, o Salvando Vidas. "Cada uma já fazia o seu trabalho isolado e, a partir daí, foram surgindo as feirinhas de adoção e eventos de arrecadação", explica. Hoje, o grupo conta com cerca de seis membros fixos, além de pessoas que ajudam esporadicamente.
A bibliotecária faz da sua casa um lar temporário para gatos que aguardam adoção, já que o grupo não dispõe de um abrigo. As responsabilidade é grande. "Tem que ter muito amor, porque dá trabalho. Eles ficam doentes, alguns têm que ficar separados, senão brigam", reconhece a voluntária, que tenta acompanhar a vida posterior de cada um dos seus hóspedes.
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