Correio Braziliense
postado em 25/05/2020 21:00
No dia 24 de abril deste ano, ao pedir demissão e falar sobre as interferências, o ex-ministro citou o decreto de exoneração de Valeixo - publicado no Diário Oficial da União (DOU) daquele dia com a assinatura de Bolsonaro e do ex-ministro -, dizendo que não havia assinado o referido documento. Depois de falar isso publicamente, o governo republicou o decreto no DOU, mas sem a assinatura de Moro. No referido inquérito, a questão segue sob apuração, no sentido de observar se houve falsidade ideológica.
O Palácio do Planalto confirmou que Moro de fato não assinou a portaria, e pontuou que “diante da manifesta contrariedade” por parte do ex-ministro, o ato foi republicado no DOU, já sem a assinatura dele. Na última sexta-feira (22), ao dar entrevista sobre a publicação do vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril, também parte do inquérito do STF, Bolsonaro havia admitido que Moro não assinou o decreto exonerando Valeixo.
“Lamento ter constado o nome do ministro da Justiça ali, porque é praxe. Quando o presidente mexe no ministério, entra o nome do ministro embaixo. Qualquer decreto existe isso. Interessa ao ministério tal, tem o nome do ministro embaixo. O Moro não assinou aquilo, mas isso é o de menos”, afirmou na ocasião.
Na nota informativa, a secretaria disse que os atos de nomeação ou exoneradas são precedidos "apenas da aprovação do ato pelo presidente da República". "E, segundo a praxe administrativa, a publicação em Diário Oficial vem acompanhada da inclusão da referenda do ministro ou ministros que tenham relação com o ato conforme constante no art. 87, inciso I, da Constituição”. Segundo o documento, após a publicação no DOU, quando for o caso, há a coleta da assinatura no documento físico.
Saiba Mais
Em depoimento à PF, Moro afirmou que não assinou o decreto de exoneração de Valeixo e que não passou por ele qualquer pedido escrito ou formal de demissão do ex-diretor. O ex-juiz federal disse ainda que se encontrou com Valeixo na manhã do dia 24, antes de seu discurso anunciando a saída da pasta, lhe disse que não teria assinado ou feito qualquer pedido de exoneração.
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