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Relatório americano denuncia falhas de segurança em Benghazi

Washington - Um relatório oficial, divulgado na terça-feira, criticando o Departamento de Estado pelas falhas de segurança no consulado dos Estados Unidos em Benghazi, atacado por islamitas em setembro, levou à demissão dos três principais oficiais do Departamento, segundo a imprensa norte-americana.



O secretário assistente Boswell, chefe do escritório de segurança diplomática, e Charlene Lamb, vice-secretária assistente para programas internacionais, renunciaram, segundo a CNN e a CBS, citando oficiais do Departamento sem identificá-los. A terceira pessoa que renunciou não foi identificada. O Departamento de Estado ainda não confirmou as renúncias.

O relatório é fruto do trabalho de três meses de uma comissão independente, um Comitê de Revisão (ARB) da ação do governo dos Estados Unidos, criado pela administração da secretária de Estado, Hillary Clinton.

O documento conclui ainda que os serviços de inteligência americanos não tinham, antes do ataque, "nenhuma informação imediata e específica" sobre uma ameaça terrorista contra o consulado.

O relatório, cuja parte "não confidencial" foi publicado pelo Departamento de Estado, critica as "falhas e deficiências dos serviços do Departamento de Estado, que resultou na implementação de um dispositivo de segurança no consulado em Benghazi, que foi amplamente inadequado para enfrentar o ataque" de 11 de setembro.

Os Estados Unidos enviarão centenas de fuzileiros para reforçar a proteção de suas sedes diplomáticas, informou a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, em mensagem enviada ao Congresso junto ao relatório do governo sobre o ataque ao consulado dos EUA na cidade líbia de Benghazi.

O ataque, cometido com explosivos e armas de guerra por militantes islamitas ligados à Al-Qaeda, matou o embaixador Christopher Stevens e três agentes americanos.

Hillary Clinton declarou em outubro que assumia a responsabilidade pela gestão e consequências do ataque, que provocou uma tempestade política entre o governo democrata e a oposição republicana, antes da reeleição de Obama.

Em duas cartas enviada às Comissões das Relações Exteriores da Câmara de Representantes e do Senado, Hillary Clinton escreve que aceita cada uma das 29 recomendações formuladas pelo ARB.

Na quarta-feira e quinta-feira, as comissões receberão funcionários do Departamento de Estado e do Pentágono para ouvir sua versão sobre os acontecimentos em Benghazi.

A chefe da diplomacia deveria falar na quinta-feira para as comissões das Relações Exteriores da Câmara de Representantes (maioria republicana) e do Senado (maioria democrata), mas prossegue em repouso após uma concussão cerebral sofrida na semana passada. Hillary Clinton será substituída pelos adjuntos William Burns e Thomas Nides. Os presidentes do ARB, o diplomata Thomas Pickering e o almirante Mike Mullen, prestarão depoimento nesta quarta-feira.