Os passageiros de ônibus vindos de outros paÃses que cruzarem a fronteira brasileira serão monitorados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para evitar a entrada do influenza H1N1. Quem apresentar alguns sintomas ; febre acima dos 38º, dor de cabeça, dores musculares e nas articulações e dificuldade respiratória ; do novo tipo de gripe será encaminhado para um serviço médico especializado e, se necessário, deverá procurar algum dos 52 hospitais especializados de tratamento espalhados em todos os estados. A regra, que já era adotada pelos aeroportos e portos que recebem viajantes de outros paÃses, também passou a vigorar desde ontem em alguns terminais rodoviários com linhas internacionais.
Umas das preocupações da autarquia federal é com a Colômbia, paÃs que confirmou um caso da doença e faz fronteira terrestre com o Brasil. Ontem à tarde, o Gabinete Permanente de Emergências, que realiza reuniões diárias na sede do Ministério da Saúde, divulgou que já são 28 os casos suspeitos no paÃs, ante 25 informados anteontem.
;Qualquer viajante vindo de outro paÃs que entrar no Brasil, por via terrestre, também será fiscalizado. Como já existe um caso confirmado na Colômbia, decidimos intensificar o monitoramento nos ônibus com linhas internacionais;, afirmou Dirceu Raposo, diretor-presidente da Anvisa, após participar de uma audiência pública na Câmara dos Deputados, realizada ontem, que discutiu as ações preventivas contra o influenza H1N1, mais conhecido como gripe suÃna.
Questionado sobre a possibilidade de o Brasil proibir o embarque de pessoas com alguns sintomas do novo vÃrus, José Agenor Ãlvares, também diretor da Anvisa, disse que a autarquia pode restringir a viagem de passageiros considerados suspeitos. ;Dependendo do caso, a Anvisa tem autoridade para impedir o embarque do passageiro. Se o médico ou a unidade de referência decidir que ele não deve embarcar, podemos intervir;, confirmou.
Além de informar o monitoramento nas linhas de ônibus internacionais, o presidente da Anvisa destacou que a agência reguladora aprovou ontem uma resolução para a produção de vacina contra o vÃrus influenza H1N1 no paÃs. O texto, que será publicado na edição do Diário Oficial da União de amanhã, autoriza previamente a fabricação, distribuição e comercialização de vacina contra o novo tipo de gripe desde que atendidos alguns requisitos, dentre os quais que os fabricantes já devem possuir registro de vacina contra influenza e estarem devidamente autorizados pela autarquia. O Brasil, segundo a Anvisa, possui sete laboratórios com tecnologia para produzir vacinas contra o H1N1.
Kits de diagnóstico
Previstos para chegarem ontem ao Brasil, os kits com os reagentes e amostras para o diagnóstico do vÃrus influenza H1N1 devem aterrissar a qualquer momento no paÃs, vindos do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) de Atlanta, nos Estados Unidos. As esquipes da Anvisa, segundo José Agenor, já estão em alerta nos aeroportos de Guarulhos e Viracopos, ambos no estado de São Paulo, para o recebimento do material. Com os reagentes e amostras, o resultado do exame fica pronto em no máximo três dias. Atualmente, o diagnóstico disponÃvel nos laboratórios do paÃs, feito pelo método de exclusão, admite a confirmação da doença no prazo de 10 a 15 dias.
Ouça trecho da entrevista com Dirceu Raposo, diretor-presidente da Anvisa