Jornal Correio Braziliense

Economia

Merkel e Hollande seguem divididos sobre supervisão bancária na Europa


Assim como a Comissão Europeia, Paris quer atribuir ao Banco Central Europeu (BCE) a supervisão de 6.000 bancos da zona do euro, enquanto Berlim prefere limitar essa tarefa aos estabelecimentos mais importantes. "Para mim, o importante é a qualidade. Não serve de nada fazer alguma coisa muito rapidamente e que não funcione", se justificou Merkel. "Devemos também pedir que nossos ministros das Finanças trabalhem rapidamente", afirmou.

[SAIBAMAIS]Sobre o outro assunto espinhoso do dia, o projeto de fusão dos grupos aeronáuticos e de defesa europeus EADS e britânico BAE para criar a número um mundial do setor, os dois líderes evitaram declarações mais incisivas.

"Não tomamos uma decisão, sabemos que temos que dar em um futuro próximo uma resposta às empresas. As negociações foram boas e amistosas. Mas os detalhes não devem ser debatidos em público, em particular os relacionados ao emprego", disse Merkel.

Segundo os órgãos de regulamentação do mercado de ações britânico, as empresas têm até o dia 10 de outubro para concluir sua aproximação ou abandoná-la.

Os dois líderes haviam exaltado anteriormente a amizade franco-alemã, cada um na língua da nação vizinha, diante de milhares de pessoas no pátio do castelo de Ludwigsburg.

"Viva a juventude franco-alemã, viva a juventude europeia", afirmou em francês a chanceler alemã, após um discurso pronunciado em alemão. Já Hollande se dirigiu em alemão à juventude ao encerrar seu discurso pronunciado em francês: "Seu papel é tornar realidade um sonho europeu e dar um futuro a ele. Viva a amizade franco-alemã", disse.

"Nós, europeus, estamos unidos para nosso regozijo", repetiu duas vezes a chanceler, aplaudida pelo público. Ela também recordou que na época do discurso do general francês Charles de Gaulle tinha oito anos e morava na Alemanha Oriental, do outro lado do muro, que havia sido construído um ano antes. "Na época, era inimaginável pensar em estar aqui", disse Merkel. "A resposta à crise tem um nome: Europa, é a Europa que vencerá a crise", acrescentou o presidente francês.