Ciência e Saúde

Implantes com talidomida têm potencial para combater tumores de mama

A droga, cujo uso restrito se deve ao alto poder tóxico, é utilizada atualmente no tratamento de mielomas

Estado de Minas
postado em 26/03/2014 07:00
Belo Horizonte ; A administração de talidomida a partir de um implante polimérico biodegradável reduziu em até 47% o volume de tumores de mama. A pesquisa realizada na Fundação Ezequiel Dias (Funed), em Belo Horizonte, foi feita em modelo animal, no caso camundongos, mas aponta para um novo tratamento que poderia beneficiar pacientes com câncer. O polêmico medicamento tem efeitos biológicos importantes, como a inibição da angiogênese, formação de novos vasos sanguíneos que determinam o avanço dos tumores. Nos últimos anos, essa capacidade do medicamento tem tornado crescente o interesse na sua utilização como agente antitumoral. Seus efeitos adversos, no entanto, são um entrave à disseminação de sua aplicação.



Nesse ponto está a contribuição da pesquisa, realizada em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O pesquisador da Funed Bruno Pereira elaborou e comprovou a eficácia de uma nova formulação farmacêutica para a veiculação da talidomida. Segundo ele, os implantes compostos por polímeros biodegradáveis são promissores sistemas de liberação de fármacos, não necessitando remoção e promovendo uma liberação prolongada e localizada. Avaliadas as características físico-químicas, a farmacocinética e os efeitos adversos da talidomida, o estudo aponta para a melhoria da resposta terapêutica do medicamento quando administrado, para o tratamento de câncer, na forma de implante polimérico.

;Os implantes biodegradáveis representam uma forma farmacêutica com potencial no tratamento de tumores, uma vez que promovem a liberação controlada do fármaco, permitindo a manutenção de níveis terapêuticos eficazes, por um período de tempo prolongado. Também permitem a liberação direta no local de ação, evitando os efeitos adversos provocados quando são administrados pela via sistêmica e protegendo os compostos da inativação antes de atingirem o seu local de ação;, explica Pereira, doutor em ciências farmacêuticas. Por serem biodegradáveis, esses sistemas não precisam ser removidos cirurgicamente após a liberação completa do fármaco, ao contrário dos implantes poliméricos de ação contraceptiva já disponíveis no mercado.

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