Lucas Vidigal - Especial para o Correio
postado em 05/02/2018 11:16
Imagine abrir a porta de casa e se deparar com um filhote de jacaré com cerca de 60 centímetros de comprimento. Foi o que aconteceu com uma moradora da Rua 20 do Setor Tradicional de São Sebastião. Uma enxurrada na tarde de domingo (4/2) carregou o réptil até o local.
O animal é da espécie Caiman crocodilus, conhecida como jacaretinga, típica do Cerrado. Segundo o major Souza Júnior, comandante do Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA), o bicho provavelmente vivia em córregos próximos de São Sebastião.
"Não houve dificuldade para capturá-lo porque ele é um filhote e a equipe portava o material necessário de proteção. Sem isso, haveria risco para as pessoas, para o cão, e para o próprio jacaré ", relatou Souza Júnior. No momento do resgate, estavam em casa uma mulher e crianças, além de um cachorro.
Não é a primeira vez em 2018 que um jacaré é capturado em área residencial. Em janeiro, policiais resgataram um animal adulto da mesma espécie em uma casa no Park Way. Ele não atacou ninguém.
Risco de extinção ainda é baixo
Artigos recentes publicados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade indicam que a jacaretinga está em baixo risco de extinção. No entanto, a caça predatória e o avanço das áreas urbanas representam uma ameaça à espécie. Adulto, o réptil pode passar dos 2,5 metros de comprimento.
O Correio tentou entrar em contato com a dona de casa que encontrou a jacaretinga. Porém, até o momento, a reportagem não obteve retorno. O animal foi levado nesta manhã para o Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama. Lá, ele será avaliado e, se necessário, medicado. Depois, o bicho voltará a viver na natureza.
Encontrei um animal silvestre. O que fazer?
Ao encontrar uma animal em casa, o morador deve, primeiro, manter a calma e telefonar diretamente para o batalhão da PM especializado no resgate pelo número 9 9351-5736. É possível, também, acionar a polícia pela central 190.
Para evitar qualquer risco de mordidas ou de ferimentos ao próprio animal, é melhor não se aproximar. "Não se deve, de forma alguma, tentar capturá-lo", avisa o major Souza Júnior.