A cervejaria Backer, investigada após casos de intoxicação, levou esta semana à Justiça Federal vÃdeo com supostos indÃcios de sabotagem em barris de composto quÃmico comprados de um fornecedor, de nome não revelado. O material ainda vai passar por análise. Ontem a Vigilância Sanitária de Contagem, na Grande Belo Horizonte, fechou uma fornecedora da Backer. A ImperquÃmica foi lacrada por falta de alvará sanitário e por fracionar produtos quÃmicos sem aval.
A Backer é alvo de apuração por um suposto elo entre a cerveja contaminada - pelo composto quÃmico dietilenoglicol, segundo análises da PolÃcia Civil de Minas e do Ministério da Agricultura - e casos de intoxicação em pessoas que ingeriram a bebida. Segundo balanço do governo mineiro, já foram registrados 19 pacientes com essa suspeita, incluindo quatro mortes.
Por decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), todos os rótulos da cervejaria, com data de validade igual ou posterior a agosto de 2020, foram interditados ontem. A Backer disse que vai respeitar a determinação.
O envio pela Backer de gravação que levanta suspeitas sobre um fornecedor é citado em decisão da magistrada Anna Cristina Gonçalves, da 14.ª Vara da Justiça Federal de BH. A fábrica, escreveu ela, apresentou "vÃdeo supostamente contendo indÃcios de sabotagem nos barris de monoetilenoglicol por ela adquiridos junto ao seu fornecedor. Todavia, não cabe a análise dessa questão na via estreita do mandado de segurança, mormente porque a presente impetração dirige-se contra ato coator especÃfico, atribuÃdo aos representantes do Ministério da Agricultura".
Nessa liminar, a juÃza permitiu o retorno parcial do funcionamento da Backer, com o envase de tanques não lacrados e relativos a marcas que não sejam a Belorizontina e a Capixaba, primeiras a terem a contaminação detectada por análise.
Em nota, a Backer disse que "teve acesso a um vÃdeo cujo conteúdo poderia estar relacionado com as investigações em curso". A empresa diz, porém, que ainda "não está em posse do material, uma vez que ele foi repassado imediatamente à PolÃcia Civil. A Backer reforça que é a principal interessada na apuração dos fatos e que o objetivo é auxiliar e contribuir sem restrições com as autoridades".
Interdição
Segundo a prefeitura de Contagem, a ImperquÃmica, fornecedora da Backer, fracionava produtos para venda, o que "não está contemplado pelo alvará" da empresa. Para isso, diz a Vigilância Sanitária, seriam necessárias obras onde a ImperquÃmica funciona. A PolÃcia Civil cumpriu mandado de busca e apreensão anteontem na empresa. Foram recolhidas amostras da produção e documentos. O Estado não localizou a ImperquÃmica ontem.
A Backer tem dito que compra só o monoetilenoglicol, usado na refrigeração da produção, e não o dietilenoglicol, primeiro composto a ser identificado em lotes da Belorizontina. Uma das hipóteses de técnicos do ministério é que a segunda substância pode ter sido formada por reação quÃmica a partir do monoetilenoglicol. Nenhum dos produtos pode ser consumido ou misturado à bebida. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.