[SAIBAMAIS] Segundo a advogada, Denis ainda não se apresentou à polícia por problemas de saúde. "Ele desenvolveu uma síndrome do pânico. O motivo de não se apresentar não é obstruir o trabalho da Justiça, mas proteger sua saúde. Ele está sentindo a morte da paciente como todas as pessoas", completa. A advogada disse que haverá uma negociação diretamente com a polícia.
A defesa do médico não explicou as denúncias que Denis enfrenta na polícia e nos órgãos regulatórios. "Nenhuma complicação aconteceu durante o procedimento", afirmou Naiara. "Existem muitas pessoas satisfeitas com o trabalho dele. Há casos que não saem como o esperado. Há pessoas que o defendem. Há um grupo de WhatsApp formado por clientes que estão satisfeitas", detalha advogada.
Naiara deixou de responder a todas as perguntas. "Algumas coisas serão respondidas nos autos do processo", repetiu por cinco vezes. A entrevista durou 14 minutos.
Há pelo menos 22 denúncias contra Denis por crimes contra o consumidor e exercício ilegal da medicina. Na do Rio de Janeiro, um homicídio em 1997, porte ilegal de arma e ameaça. Denis tem registro profissional no DF e em Goiás. Não poderia atender em São Paulo e no Rio de Janeiro. Um dos casos investigados pela polícia no DF é de uma paciente tetraplégica. Denis teria prometido curar as dores dela com um implante hormonal. Contudo, o tratamento não surtiu efeito e desencadeou um problema pulmonar na vítima.
Recompensa
Foragido há quatro dias, o Disque Denúncia oferece recompensa de R$ 1 mil reais por informações que levem as prisões do cirurgião e da mãe dele, Maria de Fátima, 66 anos. Ela também é médica, mas teve o registro cassado. Junto com a técnica de enfermagem Rosilane Pereira da Silva, 24 anos, eles foram indiciados por homicídio qualificado e associação criminosa. A namorada dele, Renata Fernandes Cirne, 20 anos, foi presa por suspeita de participação no procedimento. Na terça, ela foi transferida para o presídio de Benfica, na Zona Norte do Rio. Todos negam envolvimento na morte.
Lilian morreu na madrugada do último domingo, horas após ser submetida a um procedimento estético nas nádegas. A paciente teve complicações e foi encaminhada pelo próprio médico para um hospital particular, onde chegou lúcida, mas com taquicardia, sudorese intensa e hipotensão arterial (pressão inferior à normal). O quadro de Lilian se agravou. Ela sofreu quatro paradas cardíacas e morreu uma hora depois. A hipótese inicial levantada sobre as causas morte seria embolia pulmonar, devido à aplicação do silicone. O Conselho Regional de Medicina (Cremerj) apura o caso.